Minha Mãozinha 3D

[INCLUSÃO SOCIAL] Atualmente não posso andar. Pelo menos, não com as MINHAS PERNAS. Sabemos o quanto um tratamento longo e repleto de cirurgias (9) pode afetar nossos filhos, certo! Por isso, eu estava com medo.

Como Dara iria reagir? Como seria para ela ver a mãe na cadeira de rodas?  Após os 50 dias do pós operatório (na cama), finalmente já posso sair de casa. Passear com Dara.

Mas, ver a Mamãe sem poder se levantar e andar é uma situação incomum. E, neste contexto, fomos ao parquinho – o local preferido de Dara!

Quando chegamos – visualizem a cena: Eu na cadeira de rodas e Dara ao meu lado. Foi estranho, diferente. Dara me abraçou e disse, sem graça e chateada:

– Mamãe, estou com vergonha. Por que todo mundo está olhando para mim (e para nós) no parquinho?

Dara percebeu que as pessoas estavam realmente nos olhando, encarando, talvez por curiosidade. Também, era um “cenário” incomum: Uma mãe “cadeirante” segurando a Prótese 3D de Mão da filha – que não tem mão. (Obs: quando Dara vai brincar no parquinho, de escalar na corda ou subir nos brinquedos, ela prefere tirar o dispositivo protético 3D.)

Resumindo: mãe e filha com deficiência.

Então… Eu também me senti estranha vendo que as pessoas nos olhavam tão “intensamente”. Era um olhar DIFERENTE. Pessoas amigas e conhecidas, que poderiam ter vindo falar um OLÁ mas que provavelmente não sabiam como reagir. E sabe por quê? Simplesmente porque a sociedade não está preparada para acolher uma pessoa com deficiência. Não da forma correta – com naturalidade e respeito.

Nesse momento, eu disse a Dara:
– Filha, as pessoas não estão nos encarando por maldade. Talvez elas estejam curiosas por causa da minha cadeira de rodas, pois foi a primeira vez que viemos aqui (com a Mamãe – Eu) na cadeira de rodas.

Dara pensou… balançou a cabeça concordando.  Então eu a peguei no colo, e com a cadeira de rodas em movimento, perguntei:

– Você quer uma volta com emoção ou sem emoção?

– Com emoção, Mamãe! – Dara nesse momento SORRIA.

Assim, saímos alegremente, andando com a cadeira de rodas pela Praça, “correndo com emoção” e aproveitando aquele momento que era NOSSO.

As pessoas ao nosso redor? Não sei. Eu estava feliz demais brincando com minha filha pela primeira vez após fazer 2 cirurgias ortopédicas complicadas que me deixaram na cama por quase 2 meses. Eu já não ligava mais para o “olhar” das pessoas.

Dara e eu não tínhamos motivo para olhar ao nosso redor, pois tínhamos uma a outra e a felicidade por algo tão simples – o direito de brincar – a inclusão social.

Geane Poteriko – Mãe de Dara, Professora, Fundadora e atual Presidente do Conselho de Administração da Associação Dar a Mão.

01/08/2018

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