Aftosa, ameaça real ao Paraná

Gazeta do Povo

Depois de duras penas e batalhas travadas nos organismos internacionais de controle da defesa animal, o Paraná se vê novamente diante da possibilidade de ter seus rebanhos contaminados pela febre aftosa. A rota do contágio geralmente tem seu ponto de partida no Paraguai, passa pelo Mato Grosso do Sul e chega de caminhão ao Paraná. A tarefa que compete ao governo estadual é fechar as fronteiras e não permitir a passagem de gado paraguaio suspeito de contaminação.

 

Trata-se de uma tarefa complicada: são centenas de quilômetros de fronteiras e divisas, ao longo das quais, em pontos estratégicos, é preciso montar estruturas de fiscalização com veterinários, zootecnistas, operários, equipamentos… Caminhões, carros e pessoas que transitam por esses pontos também passam por processos de desinfecção – tudo para que o vírus da aftosa não chegue ao Paraná.

E o Paraná está preparado para isso? Em passado recente demonstrou que não. No segundo governo Requião (2003-2006), o estado nem sequer soube identificar a presença da doença – tanto que deu como certa a existência de um foco no Norte do estado. Não era aftosa – mas, por conta do falso alarme, países do mundo inteiro suspenderam a importação de carne paranaense. Milhões de dólares, frigoríficos fechados, empregos eliminados, eis um balanço das perdas que perduraram ao longo de anos.

A resposta àquela pergunta – o Paraná está preparado? – é dada pelos próprios funcionários da Secretaria Estadual da Agri­­cultura, Pecuária e Abastecimento (Seab) que trabalham no setor da defesa sanitária animal. Ontem, em comunicado que dirigiu às autoridades estaduais e entidades de produtores, a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) manifesta “preocupação devido à falta de estrutura dos postos de fiscalização sanitária e fitossanitária de entrada de produtos de origem animal e vegetal no estado do Paraná”.

E classifica como precárias as condições de fiscalização no principal ponto de passagem de gado paraguaio e matogrossense para o estado – a ponte de Guaíra, cidade paranaense situada a apenas 200 quilômetros do local onde a aftosa foi constatada no Paraguai. Pois ali, o único posto de fiscalização existente são as instalações de um antigo posto de fiscalização fazendária. Cons­­­truído na “contramão” do tráfego e sem cobertura externa para abrigar veículos que transportam gado ou qualquer outro produto de origem animal ou vegetal. A deficiência se agrava: em dias de chuva, passa tudo por lá!

Estão lotados neste posto seis funcionários, quando o mínimo necessário seria 14 – ainda assim com muita dificuldade: passam pela ponte, por mês, 200 mil caminhões e utilitários que deveriam ser submetidos à inspeção um a um. “A Seab ainda não informou onde, como, de que forma e com que efetivo irá realizar as barreiras volantes, também de grande importância em situações como esta”, diz o comunicado da Afisa.

A Afisa defende a criação de uma agência com maior autonomia funcional como parte da solução para o problema. A criação da agência foi prometida na campanha pelo governador eleito, mas a mais recente informação que se tem é que o governo enviará o projeto para a Assembleia no mês que vem. Os vírus da aftosa paraguaia não sabem disso.

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