Hidrelétricas podem mudar paisagem do Vale do Ivaí

Informações de Maurício Borges – Tribuna do Norte – Diário do Paraná

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O outrora piscoso Rio Ivaí e que divide ao meio a região centro-norte do Estado, mais conhecida como “Vale do Ivaí”, pode estar próximo de sofrer profundas mudanças, com barragens, represamento de águas e alagamentos de extensas áreas agricultáveis. Por enquanto, tudo está apenas em estudo, mas existe sim a possibilidade concreta de o “sertão virar mar”, como já diziam Sá e Guarabira nos versos da sua célebre música “Sobradinho”, que surgiu com a polêmica construção da hidrelétrica – que leva o mesmo nome – no Rio São Francisco.
Depois de muitas brigas que ganharam os tribunais, em função da construção da Usina Hidrelétrica Mauá no Rio Tibagi, agora o Rio Ivaí se transforma no novo alvo de grandes empreiteiras nacionais e até multinacionais. O cenário, com técnicos e engenheiros a campo, fazendo medições, avaliações de vazão e de solos, e até de custo de terras, deixa em polvorosa os agricultores da região, notadamente, os ribeirinhos.


Em São Pedro do Ivaí, por iniciativa do Padre Zenildo Megiatto e do agricultor Halim Abil Russ Filho, já foi deflagrada uma mobilização dos produtores rurais contra os projetos de aproveitamento energético do Rio Ivaí, que tem estudos autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
A prefeita de São Pedro, Regina Della Rosa, se diz surpresa com os comentários sobre hidrelétricas no Rio Ivaí. “Até agora não fomos comunicados de nada a respeito disso, mas temos informações de que técnicos estiveram na região, fazendo estudos e medições”, comenta ela.
Nos próximos dias a prefeita pretende buscar informações oficiais sobre o tema e propor uma discussão mais ampla, no âmbito da Associação dos Municípios do Vale do Ivaí, a Amuvi.
O agricultor João Magri, dono de uma fazenda de 55 alqueires, junto ao Rio Ivaí, avalia que as hidrelétricas podem ser úteis para outras partes do Brasil, “mas irão causar muito prejuízo e transtorno na região”. Ele lembra que foi acionado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para recompor uma longa faixa de mata ciliar, junto ao Ivaí. “Agora que está tudo formado, surge essa possibilidade de tudo ser inundado”, lamenta Magri.
Ordalvo Rosseto, que está radicado na região há 60 anos, fica com os olhos marejados ao imaginar que a propriedade da família pode ficar submersa. “Não queremos isso aqui na região e já fizemos até uma reunião como Padre Zenildo, para discutir os nossos direitos”, diz o agricultor.

ESTUDOS EM 30 ANOS – Na década de 80 o potencial do Ivaí já era levantado pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). Na época, tais estudos constataram a possibilidade de se construir até seis barragens ao longo do rio, com capacidade final de 886 megawatts de potência instalada.
Durante 2011, especialistas realizaram levantamentos do potencial energético do Rio Ivaí, em vários trechos do rio. Relatórios conclusivos já estão de posse da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão responsável pelos leilões para a distribuição de concessões de novas usinas hidrelétricas no País. A Copel não participa nessa nova etapa dos estudos.
O potencial energético do Rio Ivaí, apurado na década de 80 pela Copel, é mais que o dobro do apresentado pela Usina Mauá, que deve começar a operar ainda neste ano no Rio Tibagi, e que tem potência instalada de 363 megawatts, suficiente para abastecer uma cidade de um milhão de habitantes. Na região da divisa entre os municípios de Ortigueira e Telêmaco Borba deve ser alagada uma área de cerca de 80 quilômetros quadrados.
A produção de novos estudos no Rio Ivaí comprova que o Paraná continua no foco do setor energético para futuras hidrelétricas, mesmo sendo um estado superavitário na produção de energia elétrica. Nesse momento, a energia seria distribuída para abastecer outras unidades da federação.
É o mesmo destino da energia da Usina Mauá, construída pelo Consórcio Cruzeiro do Sul (Copel e Eletrosul), e que irá vender sua produção ao sistema nacional de distribuição de energia elétrica.

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12 Comments

  1. Sou contra a destruição da natureza, sempre a corda arrebenta pelo lado mais fraco, na nossa historia está nesse local, como passaremos para nossos filhos e netos, essa historia, sendo que não termos o que mostrar pois tudo de lindo o nosso verde e animais seres humanos pessoas simples sem defesa que sofrerão com isso tudo.

  2. REGINA S. ZAMBERLAN

    NADA ME FAZ CONCORDAR COM ISSO, EM NOME DO PROGRESSO SIMPLESMENTE DESTRUIR A NATUREZA NÃO É MUITO INTELIGENTE, MUITAS TERRAS FÉRTEIS QUE PRODUZEM ALIMENTO SERAO ALAGADAS, DESTRUIÇAO DE ECOSSISTEMAS, ETC, ALÉM DO MAIS ENVOLVE VIDAS INTEIRAS VIVIDAS POR PESSOAS QUE NASCERAM E CRESCERAM VIVENDO E TRABALHANDO NESTAS ÁREAS… ISSO NÃO VAI SER CONSIDERADO…QUEM CONHECE ESSES LUGARES E AMA A NATUREZA não pode concordar com essa FALÁCIA DE PROGRESSO,ESTA É MINHA OPINIÃO!!!!

  3. nilton roque guerra

    Não concordo com a hidro, prq o IAP nos obrigou a plantar as margens do rios e afluentes, e agora querem inundar todo nosso esfoç, então prq as multas, obrigações, fica ak a minha indignação.

    • REGINA S. ZAMBERLAN

      É , TEM GENTE QUE PENSA SÓ NO ”MOMENTO”, NUM MOMENTO ONDE SE DISCUTE A TAL SUSTENTABILIDADE, QUEREM DESTRUIR MAIS UM POUCO DE
      NOSSA NATUREZA E TEM GENTE APLAUDINDO, É LAMENTÁVEL…

  4. a hidreletrica vai ser um otimo empreendimento porque alem de o rio ivai ser a força da segurança do brasil sobre a apagao , ainda vai gerar muitos empregos, e ainda ligaçoes favoravel entre os municipios de que provavelmente vai ter passagens, alem disso criames de peixes de otissimas qualidades e as aguas alagadas com profundidade impede o movimento de pescarias seja: redes,tarafas , que impediria os criames dos peixes que somos prova que o rio ivai ultimamente so pegava folhas , galhos , pernilongos nos braços e no corpo ate na orelha e ladroes de rede ao amanhecer, e medo do IBAMA para os pescadores, eu que moro em faxinal tenho meus avos que tem sitio nas margens do rio ivai de frente com a fazenda do famoso apresentador ratinho , para nos vai ficar uma area de lazer que dara para navegar com barcos motorizados sera um lazer total. esperamos que isto aconteça muito breve!

  5. eu tbm não concordo porque ai as terras são muitos fertil tem varios lugar que as terras não são fertil ai sim poderiam

  6. eu não concordo por que eles não vai pagar o preço que a terra vale minha familia ja passou por isso antes moravamos na cidade de primeiro de maio e lá ele so pagou o valor das terras pelo valor do incra e foi a metade do preço meu pai tinha 14 alqueres lá e so deu para comprar 6 em ubauna sendo que em primeiro de maio hoje custa 60 mil reais o alqueres nois levemos um prejuiso enorme

  7. Muito bem coloca suas palavras caro amigo Valcenir, faça de minhas suas palavras…
    Isso Blog do Roque faça pra nos uma pagina para que as pessoas possam votar contra ou a favor assim saberemos quantas são contra e a favor…

    Obrigada Roque

  8. Um ponto de vista interessante..Valcenir.
    Ao acaso você citou apenas os prejuízos ,será que você não vê a real importância de tal projeto? além de fornecer energia, favorecerá a economia regional, novos empreendimentos serão executados ,fazendo com que muitos trabalhadores,hoje desempregados tenham de onde tirar seu sustento, poucos serão os pequenos ,que perderão …no entanto o retorno será muito satisfatório…pense nisso e seja mais direto no que deseja que a população de tais regiões façam,, são poucos que entendem as entrelinhas….

    • valcenir machado de moraes

      RONI EU ENTENDO SIM O QUE VC CITOU APESAR DE EU NÃO TER COMENTADO NADA SOBRE, MAIS QUEM GARANTE QUE SÃO OS DESEMPREGADOS DESSES municípios que serão empregados.
      Pode até ser que de inicio possam dar emprego mas a maioria sera depois desempregadas, e irão trabalhar apenas na construção das barragens isto é se não contratarem empreiteiras para realizarem os serviços porque infelizmente não é como nós gostaríamos pois a maioria destas pessoas não tem cursos superiores e não poderão assumir papeis importantes dentro da empresa e queria deixar bem claro que (não estou defendendo grandes ou pequenos) e sim questionado o que penso dando minha opinião sobre o assunto é claro que não citei alguns benefícios que ajudara muitas famílias de baixa renda mas sera q vai ser pelo resto dos anos que elas viverem mas isso é algo que devemos deixar acontecer naturalmente para saber oque realmente as pessoas acham do assunto você não acha interessante abir uma pagina para votação quem acha que deve ser construída uma usina hidrelétrica nas imediações hoje atualmente estou morando em Curitiba mas pretendo voltar a morar ai por isto acho legal abrir uma pagina para as pessoas de toda esta região votar para sabermos a diversas opiniões

    • eh voce ta serto mesmo
      eh isso ai.
      quero serviço e tem que construi mesmo

  9. Acho que isto so atrapalhara a vida de muitas pessoas, pois muitas familias inda vivem as margens do rio ivai tanto em sao pedro do ivai quanto em sao joao do ivai e tambem talvez se tambem o caso do municipio de fenix;Ja que muitos dependen das terras aos arredores do rio,se realmente esta ipotese vor veridica ou confirma mutos perdeão casas citios suas rendas “sustentabilidade” pois uma grande regiao sera afetada,e com toda esta vira támbem a perca de todo o trabalho dos agaricultores em relação a todo o prosseço do reflorestamento as margens do rio,(E tambem havera um certo risco das terras mais distantes dos rios tambem serem afetadas, pois uma vez que alagado as marges do rio se expandirão e obviamente extenderão o seu percursso de agua o que terra que ser feito outro longo processo de reflorestamentonas nas “novas” margens do rio ivai).
    E entao havera mais perca de terras mais desapropriações,OU Você esta pensando que as margens ira ficar sem o area de reserva? uma vez que o as reservas que existem estarão submerça.
    _ Por estes e muitos outros mais motivos terao que ser tomadas atitudes cabiveis em relação a este fato que pode ocorrer e istO só acontecera com a união dos habitatantes dos municipios afetados ja morei tanto no municipio de são pedro do ivai quato no de são joão doivai e tambem no distrito de úbauna pertencente ao municipio de são joão do ivai, e conheço a vasta area que sera prejudicada,
    Agora mais do que nunca é hora daqueles quem realmente serão prejudicados e daqueles que tambem acham que serão prejudicados se unirem e pedir a colaboração dos demais moradores desta região e juntos tentar vencer.

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