Paraná é o terceiro estado com maior índice de homicídios contra mulheres

Do G1 Paraná

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (7), pelo Instituto Sangari, mostra que a taxa de homicídios contra mulheres, por 100 mil mulheres, no Paraná é de 6,3. Esse número é o terceiro maior do país e fica atrás apenas do Espírito Santo e Alagoas, que ocupam, respectivamente, a primeira e a segunda posições no ranking. O Instituto também divulga, anualmente, o Mapa da Violência.

Os números são referentes aos homicídios cometidos em 2010. Naquele ano, a cidade de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, ficou em segundo lugar no ranking da taxa de homicídios contra as mulheres. De acordo com o estudo, o índice foi de 24,4 homicídios para cada 100 mil mulheres.

Além de Piraquara, outras oito cidades aparecem entre as 100 primeiras, sendo que a maioria compõe a região da capital. Curitiba ficou em 58º lugar. No caso dos municípios, o estudo levou em conta apenas as cidades com mais de 26 mil mulheres, para evitar grandes flutuações nos resultados, entre um ano e outro.

Para o delegado de homicídios de Curitiba, Rubens Recalcatti, a pesquisa mostra uma realidade “normal”. Segundo ele, a maior parte das mulheres assassinadas no Paraná se envolve com o crime e isso facilita com que elas sejam vítimas. “Algumas vítimas se envolvem com homens que têm ligação com o crime e se tornam vítimas das coisas que eles fazem, outras se envolvem diretamente com o tráfico de drogas”, afirma.

Recalcatti conta que muitas mulheres costumam ser mortas em situações de auxílio aos parceiros envolvidos com o crime. “Elas entregam celulares nos presídios, vendem drogas, se prostituem”, diz o delegado.

Ele explica que a maior parte dos homicídios contra mulheres ocorre em áreas já degradadas com o crime. “São bairros pobres. As cidades cresceram nos últimos anos e esses bairros cresceram muito”, avalia Recalcatti. Para ele, durante os anos em que essas localidades cresceram, faltaram investimentos do Estado para garantir educação e segurança. “Faltaram investimentos principalmente na polícia judiciária e no policiamento de rotina”, acredita.

Dados mundiais
O estudo também comparou os dados nacionais com os de outros 84 países. Neste caso, o Brasil ficou com o sétimo maior índice, com 4,4 homicídios para cada 100 mil mulheres. Em pouco menos da metade dos casos analisados, o assassino é o parceiro ou o ex-parceiro da mulher.

O trabalho conclui que leis como a Maria da Penha – promulgada em 2006 – contribuíram para a redução dos homicídios contra as mulheres. Por conta disso, sugere que é necessário haver mais leis para prevenir e reduzir a violência contra as mulheres.

Para Recalcatti, além disso, é preciso ainda que haja um grande debate sobre os valores atuais. “Nós precisamos de uma discussão estrutural no que diz respeito à família, à segurança, educação, enfim”, diz.

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