Coamo compra Coagel e espera faturar 10% mais

Da Gazeta do Povo

A cooperativa Coamo Agroindustrial, de Campo Mourão, anunciou ontem a incorporação da Coagel Agroindustrial, de Goioerê. Apesar de não ter sido estabelecido um valor de pagamento, o negócio entre as duas empresas, com sede no Centro-Oeste do Paraná, envolve R$ 44 milhões.

De acordo com o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, a incorporação deve alavancar em 10% o faturamento da empresa neste ano. Em 2011, a maior cooperativa do Paraná teve arrecadação recorde de R$ 5,97 bilhões.

A incorporação vinha sendo discutida desde 2009, quando a Coamo arrendou a Coagel para exploração da estrutura de recebimento, armazenagem e processamento de grãos. O contrato vigoraria até 2016. A Coagel enfrentava dificuldades financeiras desde a década de 90, quando o cultivo de algodão, principal produto da cooperativa, começou a migrar para o Centro-Oeste e o Centro-Norte do país.

Durante os últimos três anos, a Coamo teria investido R$ 44 milhões na Coagel, parte na melhoria das unidades e o restante na quitação de dívidas. A incorporação foi assinada sem um novo pagamento. Coamo herda as contas mas assume o patrimônio e imprime seu nome na Coagel.

“A Coagel estava fora do mercado há três anos. A incorporação foi unanimidade entre os associados, pois o patrimônio não cobria as muitas dívidas. Desta maneira, a Coamo assume tudo, tanto os ativos como os passivos”, diz Osmar Pamini, último presidente da cooperativa de Goioerê, no cargo desde 2001. Ele agora passa a ser associado da Coamo. “O saldo foi positivo e o pessoal saiu sem se machucar. A operação não trouxe nenhum trauma para as partes envolvidas e ninguém teve prejuízo”, afirma Gallassini.

Os cerca de 1,7 mil associados da Coagel passam automaticamente para a Coamo, que tem mais de 24 mil cooperados. O patrimônio abrange 17 entrepostos em 14 municípios, além de fazendas e apartamentos.

As alternativas discutidas eram liquidar ou incorporar a Coagel. A segunda alternativa foi considerada melhor para a continuidade das operações e para os associados de Goioerê. “A liquidação iria gerar uma crise muito grande. Os entrepostos e a fiação seriam fechados, pois o patrimônio iria a leilão para pagar as dívidas. Todos os empregados seriam despedidos”, diz Gallassini. Não são descartadas demissões no quadro da Coagel.

A Coamo cresce ampliando seu próprio quadro de associados e a estrutura de recepção de grãos. A última compra de outra cooperativa, segundo a empresa, foi a da Coopagro, de Toledo, em 1994. Dez anos antes, a empresa havia assumido a Cooperal (do município de Abelardo Luz, SC).

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