Polícia Civil fecha as cadeias do Vale do Ivaí

Metéria do Jornal Tribuana do Norte

A 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana praticamente finalizou nessa semana um processo de extinção de carceragens em municípios  do Vale do Ivaí. Entre ontem e anteontem, os 14 presos das cadeias de Kaloré, Rio Bom e São Pedro do Ivaí foram transferidos para outras unidades.

A medida, já tomada em Borrazópolis, Bom Sucesso, Marumbi e Mauá da Serra, segundo o delegado chefe Valdir Abrahão, visa evitar fugas e, inclusive, garantir a segurança dos detentos, uma vez que nessas delegacias não existem policiais civis. O próximo alvo é a cadeia de Califórnia que só não foi desativada ainda por conta de outro problema que só tende a se agravar na região: a superlotação das unidades. Levantamento da Tribuna mostra que o Vale do Ivaí tem 263 vagas e quase 630 presos.

O delegado ressalta que apenas as carceragens foram desativadas, o atendimento ao público continua acontecendo nas delegacias. Sem policiais civis, as unidades são atendidas por policiais militares, que acumulam também as funções de policiamento e prevenção. “Essas medidas visam reduzir riscos de fuga bem como proteger a própria integridade dos presos. Essas carceragens não tinham a mínima estrutura para atender ninguém. Sem vigilância à noite, se um incêndio acontecesse ou um preso passasse mal ficava sem socorro”, afirma ele. “Com isso, o policiamento da PM também será melhorado, pois é uma função a menos”, reforça. A partir de agora, os presos desses municípios, segundo ele, serão encaminhados para as unidades mais próximas.

 

Abrahão afirma que a meta é manter cadeias públicas apenas nas sedes de comarca do Vale, onde há delegados e a força policial é maior. A exceção, por enquanto, fica sendo a Cadeia Pública de Califórnia. “Como ali geralmente temos em torno de 20 presos não temos, no momento, condições de desativar essa unidade”, afirma.

 

O delegado admite que todas as cadeias da região têm problemas de superlotação. Hoje, nas oito carceragens que permaneceram abertas, a demanda por vagas é de aproximadamente 360. O minipresídio de Apucarana também registra superlotação recorde, são 320 presos em um prédio com capacidade para 120.

 

Abrahão afirma que o problema é crônico e decorre da falta de vagas no sistema prisional paranaense. “Temos uma dificuldade muito grande em obter vagas no CDR, nas penitenciárias e até no presídio feminino”, comenta.

 

RIO BOM – Em Rio Bom existem apenas quatro policiais militares que revezam atendimento na delegacia, cuja carceragem foi desativada. À noite, a situação é ainda mais grave: só um policial fica de plantão durante toda a madrugada não necessariamente para vigilância dos presos, mas também para atendimento às ocorrências e policiamento preventivo. A cidade não possui policiais civis fixos. É o delegado de Marilândia do Sul que fica encarregado também do município.

 

As três mulheres que estavam presas no local já foram transferidas para Apucarana, junto com três homens. O delegado de Marilândia do Sul, Gustavo Dante da Silva, explica que a medida foi uma orientação do delegado-chefe da 17ª SDP. “O objetivo das transferências é para melhorar o atendimento à população de Rio Bom”, afirma Silva.

 

O esvaziamento da carceragem, no entanto, divide opiniões entre as pessoas que moram próximas ao local. A aposentada Vita Breve, que mora ao lado da cadeia, não é a favor do esvaziamento do local. “Moro há 10 anos aqui do lado e nunca tive problemas. Acho muito ruim desativarem a carceragem, porque são poucos presos e eu me sinto segura com os policiais sempre por aqui. Acabar com a carceragem pode enfraquecer a segurança”.

 

Já Davi Rodrigues, lavador de carros que mora há 11 anos em frente à delegacia, pensa exatamente o contrário. “Ninguém gosta de morar perto de bandidos, não é mesmo? Acho que tirar eles daqui é ótimo, porque traria mais segurança à região”, destaca.

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