Construção de hidrelétrica gera apreensão em Fênix

Matéria especial do Jornal Tribuna do Interior

A possível construção de uma usina hidrelétrica na região tem mudado a rotina diária dos pouco mais de quatro mil moradores da pacata Fênix, distante 50 km de Campo Mourão. O projeto ainda está em estudo, mas caso receba liberação do ministério de Minas e Energia, a cidade pode perder até 30% de seus 17 mil hectares de terras.  Ou seja, 5,1 mil ha ficarão submersos, segundo o diretor de Planejamento do município, Rubens Humberto Vasconcelos. A população está preocupada.

Segundo informações, pelo menos 10 produtores rurais do município teriam suas terras desapropriadas pela União. Além de terras produtivas, o parque Estadual Vila Rica do Espírito Santo, um dos cartões postais da cidade, teria seus cerca de 350 hectares alagados. Consumidos pela água. “A preocupação do município é a altura das barragens. São em torno de 40 a 45 metros de altura. Se subir esta quantidade de água, 30% do município de Fênix será diretamente afetado”, teme o diretor de Planejamento.

A instalação da hidrelétrica envolve um consórcio de pelos menos seis empresas, liderado pela PCH Minas, de Belo Horizonte, J. Mallucelli Energias S.A. e ERSA Energias Renováveis S.A.. Segundo informações, o grupo estaria prestes a conseguir a liberação do Governo Federal para dar início aos trabalhos. Vasconcelos informou que a documentação para liberação do empreendimento está em análise pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Fala-se em micro-usina, mas é uma usina de médio porte”, contestou.

A hidrelétrica seria construída na divisa de Fênix com São Pedro do Ivaí. Barbosa Ferraz e São João do Ivaí, também seriam afetados caso a obra se concretize. Vasconcelos revelou que seis usinas deverão ser instaladas no percurso do rio Ivaí. “Essas seis usinas serão de Fênix, para cima, porque pra baixo o rio não tem caída”, argumentou. Segundo ele, o município não tem acesso às informações do andamento do projeto. “Infelizmente não temos acesso a documentação sobre o cronograma da construção. No site da Aneel, fala-se que os documentos estão em análise. No dia 4 de maio foi feito um parecer, mas não temos qualquer acesso. Isso só aumenta a tensão”, falou.

No último sábado (07), moradores, lideranças e autoridades ligadas ao meio ambiente estiveram reunidos em Fênix para discutir medidas para impedir que o projeto seja levado adiante. A reunião foi realizada no Centro Cultural Acyr José Correia, com a participação do promotor Robertson Fonseca de Azevedo, de Maringá, estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), professores, índios representantes dos Xetás, pessoas da região, agricultores e a comunidade em geral.

A intenção dos representantes do meio ambiente e de alguns municípios presentes na reunião é mobilizar o Governo Estadual e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), para que o projeto não saia do papel. Segundo informações da prefeitura, Fênix tem desenvolvido vários projetos de preservação ao meio ambiente. Todo o trabalho seria perdido caso a usina seja implantada. Já existe no município um baixo-assinado com mais de 500 assinaturas para tentar impedir o andamento do projeto.

MP diz que região sofrerá prejuízo irreparável

O Mistério Público entende que o Paraná já tem muitas hidrelétricas, e é auto-suficiente na produção de energia. Ou seja, o Estado já teria dado a sua contribuição. Segundo o promotor de justiça de Maringá, que acompanha o caso, Robertson Fonseca de Azevedo, a construção da hidrelétrica, provocaria impacto ambiental, social e econômico na região onde compreende a obra. De acordo com ele, os prejuízos seriam irreparáveis.

“Ambiental porque tudo que está à beira do rio se transforma em lago artificial, enquanto o rio deixa de ser rio e passa a ser água parada. Além disso, os peixes que moram na água corrente não vivem na água parada. Já o impacto social se dá porque as propriedades que sustentam famílias passam a ficar debaixo d´água. Por fim, o impacto econômico, pois a usinas de energia não geram ICMS para o Paraná e sim para o local de consumo”, disse o promotor, ontem, à TRIBUNA.

O promotor informou que ainda não existe processo judicial sobre o caso até mesmo pela falta de informação dos projetos. “Neste momento estamos fazendo um movimento, um esforço em discussão com a comunidade”, disse. A reportagem não conseguiu localizar os representantes do consórcio para comentar o caso.

Entre as medidas estudadas para evitar a construção das usinas, está a aprovação de leis de tombamento do Rio Ivaí, como patrimônio cultural e social, e o impedimento de barragens através de planos Diretores de cada município. Uma nova reunião está marcada para a cidade de Kaloré, no dia 18 de agosto.

Agricultores estão apreensivos

A possibilidade da construção da hidrelétrica tem preocupado a população, principalmente agricultores, os que serão mais afetados. Estima-se, que a cidade perderá cerca de dois mil alqueires de terras produtivas. “Apenas uma indenização não basta. Os produtores precisam da terra para sobreviver”, comentou o produtor rural, Valentim Fernando, 72.

Ele mora na cidade há 50 anos e está apreensivo, pois corre o risco de ter suas terras desapropriadas. “Muitos pequenos agricultores perderão seus sítios se essa hidrelétrica realmente for instalada. Toda a comunidade deveria se mobilizar para impedir a obra”, comentou.

Segundo informações, embora os produtores rurais sejam ressarcidos, o valor pago não representaria mais que 50% do que vale a terra. Também, considerando que a economia do município é essencialmente agrícola, os prejuízos seriam incalculáveis segundo os agricultores.

O marido da empresária Arlete Xavier dos Santos, 42, também é proprietário rural. Segundo ela, o esposo está preocupado. “Está muita confusão. Ninguém sabe direito o que vai acontecer e isso gera pânico na cidade”, disse. Arlete espera que a hidrelétrica não seja construída no município. Segundo ela, parte da propriedade da família terá de ser desapropriada.

Já o vendedor de espetinhos, Aparecido Teixeira Gomes, 57, diz que é favorável a construção da usina na região. Segundo ele, o empreendimento geraria empregos. Ele mora há 12 anos na cidade. “Eu não acredito que o governo liberaria a construção se causasse tanta destruição como vejo falando na cidade”, argumentou. O vendedor acredita que o município será beneficiado

 

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6 Comments

  1. fiquei muito triste porque os animais vai morrer tudo nao gostaria que construise a usina tenha piedade dos bichos……………………e das pessoas que vivem proximo ao rio…………………….nao destrua a natureza?obrigado

  2. julio cesar de oliveira

    julio cesar de oliveira naci em fenix , hoje moro em sao paulo.. mais sempre que posso vou ate fenix para ver meus pais,, e fiquei muito triste em saber sobre a usina , aprendi sobre preserva, cuidar , e amar os animais e a fauna em geral. sabem onde foi a minha escola? no parque vila rica,proximo ao rio.

  3. Rud Patrick de Oliveira

    Isso nunca devera acontecer… NUNCA!

  4. Não se preocupem amigos,tudo isso até se concretizar vai demorar muito tempo e se aprovarem o projeto da viabilidade de construção, pode ter certeza que nada vai alterar a vida dos ribeirinhos ou proprietários das terras a serem afetadas.
    Por que não vão construir nada é somente falácia em época de eleição.

  5. É o progresso avançando sobre nossos recursos naturais. + progresso, – mata.

  6. É o governo procurando outro meio de ganhar dinheiro né, O vale do Ivaí possui uma riqueza muito grande com a fauna e flora, por sua vez esse políticos imundos querem a instalação de Usinas, e lucram com isso, através de parcerias firmadas entre eles, precisamos ter um iniciativa contra isso, senão patrimônios ecológicos irão simplesmente desaparecer do vale do ivaí, como a prainha, parque ecológico de Fênix e vários peixes de água de corrente irão desaparecer, como é o Dourado e etc..
    Patrimônio Ecológico é pra ser preservado, não é meio de ganhar dinheiro, sou Contra e espero que todo mundo tenham o mesmo pensamento que eu tenho.

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