Crianças até 4 anos são novo alvo da vacinação

Da Gazeta do Povo

Começou ontem a vacinação de crianças entre 2 e 4 anos de idade contra a gripe A (H1N1) na capital paranaense. Segundo a Secretaria de Saúde de Curitiba (SMC), só na capital a meta é que 70 mil pessoas nessa faixa etária sejam vacinadas. O número de casos da doença no Paraná aumentou 18,2% na última semana. Segundo o novo boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), divulgado nesta segunda-feira, o estado registrou 139 novos casos e duas outras mortes em decorrência da gripe A entre os dias 14 e 20 de julho. No total, o Paraná já contabiliza 899 ocorrências e 25 óbitos provocados pela doença.

Em Curitiba, por enquanto, as unidades de saúde estão trabalhando com as doses do estoque que restou do período de imunização dos grupos definidos pelo Ministério da Saúde – idosos, crianças até 2 anos e profissionais de saúde. A assessoria de imprensa confirmou que há doses para todas as crianças na nova faixa etária selecionada, já que, com a liberação de 400 mil novos lotes de imunização para o Paraná na próxima quinta-feira (feita pelo Ministério da Saúde) será possível cobrir todos os grupos de risco.

Ontem, a Sesa confirmou que a vacinação desse novo público será estendida para todas as cidades do interior. O cronograma com as datas e os locais de aplicação das vacinas deve ser divulgado pelas secretarias municipais nos próximos dias. “Estamos priorizando esse grupo porque é uma parte vulnerável à doença e em quem as complicações tendem a inspirar muito mais cuidado”, diz o superintendente de Vigilância em Saúde da Sesa, Sezifredo Paz. Por enquanto, não há prazo para o encerramento da vacinação.

Ele esclarece que, neste ano, outros grupos não devem ser beneficiados pelas vacinas na rede pública. “Com essa ampliação para o público entre 2 e 5 anos incompletos, encerramos a questão da vacina para este ano. Mas pretendemos rediscutir isso com o Ministério da Saúde no ano que vem, para conseguirmos mais doses e atingirmos outros grupos”, diz.

Casos

Segundo Paz, com 139 novos casos e duas mortes registradas no estado na última semana, o Paraná teve um aumento pequeno em relação à semana anterior. “Isso indica uma tendência de queda nos registros, inclusive no número de mortes, o que esperamos que se mantenha nos próximos boletins.”

Ele atribui o menor crescimento à conscientização das pessoas quanto aos cuidados de prevenção, ao aumento do público-alvo que está recebendo as vacinas e à aplicação imediata do medicamento Tamiflu nos casos suspeitos da doença, o que agiliza o tratamento e evita complicações.

Sobre as mortes, Paz explica que elas dizem respeito a dois moradores da Região Metropolitana de Curitiba – uma em Almirante Tamandaré e outra em Araucária –, mas que os pacientes já tinham doenças pré-existentes que potencializaram a evolução da doença. “Um deles tinha tuberculose e DPOC [Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica] e o outro era portador de imunodeficiência.”

Para o superintendente, mesmo com a diminuição no número de novos registros, é importante que a população não se descuide e continue mantendo hábitos de prevenção, como preferir ambientes arejados, lavar bem as mãos e fazer uso de álcool gel. “Além da H1N1, temos a gripe sazonal, que também pode causar óbito. Nesse ano, já foram 402 casos e seis mortes por causa dela.”

Tranquilidade no 1. º dia da vacina

O balanço final do primeiro dia de imunização das crianças em Curitiba deve sair hoje, mas as unidades de saúde da cidade não registraram problemas nos atendimentos realizados ontem. A médica Ligiana Maffini, autoridade sanitária da unidade Mãe Curitibana, confirmou que o movimento aumentou, mas as filas ficaram pequenas e a espera não passava de 15 minutos. Até o meio da tarde, 65 doses tinham sido aplicadas na unidade. Um dos imunizados foi Felipe Jesmiel Leite, de 3 anos (foto). O pai, Jesmiel Leite, disse que a sogra escutou na tevê que as vacinas já estavam disponíveis.

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