Autoestima com Mariceli Bernini

Mariceli BerniniA partir deste mês de abril, o Blog contará com colaboradores, que estarão levando informações importantes aos leitores, para estrear nossa coluna participação da Psicóloga Mariceli Bernini de São João do Ivaí, que estará abordando diversos assuntos, para a primeira participação o tema é Autoestima. Boa leitura.

Autoestima são as opiniões e os sentimentos que cada pessoa tem a respeito de si mesma. Ela começa a se formar na infância, a partir de como as outras pessoas tratam a criança, ou seja, se uma criança é tratada com amor e respeito, as opiniões que ela formará a respeito dela mesma serão positivas, mas uma criança que nasce e cresce em um ambiente hostil, cheio de críticas, criará opiniões negativas a respeito de si mesma, por isso as experiências que vivemos no passado influenciam na auto estima quando nos tornamos adultos.

Quanto maior a autoestima, melhor um indivíduo estará preparado para lidar com os problemas e desafios da vida, por exemplo, quando recebemos uma crítica, a importância da opinião de quem nos criticou não deveria prevalecer sobre a opinião que temos sobre nós mesmos. Muitas vezes nos sentimos intimidados, constrangidos ou tristes porque alguém disse algo a respeito de nós. Mas se a nossa autoestima estiver alta, a opinião do outro nunca será mais importante que a nossa opinião sobre nós mesmos, desta maneira, receberemos a crítica respeitando a opinião do outro sem deixar que isto modifique a nossa opinião.

Possuir uma autoestima alta é importante para a saúde mental, pois se uma pessoa pensa e sente boas coisas por si mesma, dificilmente se sentirá deprimida, irritada, desanimada. Portanto, ter uma boa imagem a respeito de si mesmo influencia nos relacionamentos profissionais, pessoais, familiares, etc. Todos nós conhecemos alguém que, ao ser elogiado, logo em seguida emite uma opinião para se autodenegrir. Se elogiamos o cabelo desta pessoa, ela logo diz: “Está feio, tenho que cortar”, se elogiamos o desempenho da pessoa em uma prova, ela diz: “mas eu poderia ter ido melhor” , e assim esta pessoa demonstra que a imagem que tem de si mesma não é boa porque não consegue ver capacidades em si mesma, o que prejudica sua vida.

As características de uma pessoa que tem baixa autoestima são:
– Insegurança exagerada (a pessoa não confia em si mesma porque se acha sempre pior que os outros, como se dissesse a si mesma: não vou conseguir, não sou capaz, não vai dar certo, o que os outros vão pensar? Se coloca sempre em último lugar);
– Não se sente bem em lugar nenhum, acha que tudo e todos estão errados, menos ela mesma (está sempre criticando o comportamento alheio porque é difícil para ela analisar seus próprios comportamentos, ela foge de si mesma e foca a sua atenção nos outros);
– Mania de perfeição (pois tem necessidade de provar para os outros que é boa, o que gera um sentimento de infelicidade, já que desta maneira não consegue ser ela mesma);
– Têm dúvidas constantes, não tem certeza do que se é, precisa sempre que alguém diga coisas boas, pra ver se ela mesma acredita!
– Sentimento vago, não acredita ser capaz de realizar algo;
– Não se permite errar, porque sentem vergonha de mostrar suas falhas (pois a opinião do outro é sempre mais importante que a dela mesma, vive em função de agradar o outro);
– Necessidade de agradar para ter aprovação e reconhecimento, ou seja, são pessoas que não se amam e se comportam de uma maneira que precisam mendigar o amor de alguém. São estas pessoas que ficam anos e anos em um relacionamento que faz mal para si mesmas, elas deixam as pessoas fazerem o que quiserem com elas, por exemplo: ela deixa o patrão maltratar e não reage, são pessoas que não conseguem chegar pra alguém e dizer: “Olha fulano, você fez tal coisa e eu não gostei”.

Algumas vezes, para esconder a falta de amor por si mesma, algumas pessoas dão muita importância à própria aparência, pois quanto mais se mostrar “arrumada”  por fora, ela acha que menos alguém vai olhar para dentro dela.

A autoestima pode estar alta em determinado momento de nossa vida, e em outro momento ela pode estar baixa, ou seja, ela oscila, embora existam pessoas que possuem auto estima baixa sempre, ou possuem auto estima alta sempre.

O que diminui a auto estima?

– Ficar sendo criticado e fazer autocríticas;
–  Culpa por algo que tenha feito;
– Ser abandonado;
– Ser rejeitado;
– Carência;
– Frustração;
– Vergonha;
– Inveja;
– Timidez;
– Insegurança;
– Medo;
– Humilhação;
– Raiva;
– Perdas
– Dependência financeira;
– Etc.

E para elevar a autoestima, é preciso o quê?

– Conhecer a si mesmo. Conhecer a si mesmo é ter consciência de qualidades e defeitos que possui,  aceitar que cada ser humano possui tanto qualidades como defeitos, reconhecer que se é bom em muitas coisas mas que também existem capacidades em si mesmo que não são perfeitas, e que isso não o coloca em uma situação inferior às outras pessoas, somos todos diferentes uns dos outros;
– Tratar-se com amor e carinho. Por exemplo: Muitas pessoas possuem em suas casas um jogo de xícaras que deixa reservado para as visitas… Mas ela mesma toma o seu café ou seu leite em uma xícara velha e rachada. Outro exemplo são aquelas pessoas que falam para o vendedor que “não precisa embrulhar para presente porque é para mim mesmo”, mas exigem o melhor embrulho se é para presente para alguém que não seja ela mesma. (Por que não doar o melhor para si mesmo também?!?);
– Ouvir a intuição (o que aumenta a autoconfiança);
– Fazer todo dia algo que o deixe feliz. Pode ser coisas simples como: descansar, ouvir uma música bonita, comer um doce, sorrir para um desconhecido, ajudar alguém, etc.

Não existe absolutamente nada que você tenha feito que diminui o seu valor diante da vida. Não importa o que você tenha feito. O seu valor é alto, e nada pode impedir que você se dê a aprovação que merece e necessita. Nenhuma opinião pode reduzir teu valor interno, você é um ser humano e por isso possui valores intrínsecos maravilhosos.

Amar-se é não permitir que a vida seja um peso, pois viver é leve, e a leveza da vida leva até você:

– Expressões de afeto;
– Diminuição de sensação de ansiedade e insegurança;
– Harmonia entre o que se diz e o que se sente, e não mais dizer coisas “da boca pra fora” com a intenção de agradar outra pessoa mas não estar sendo verdadeiro;
– Necessidade de aprovação alheia diminui porque EU me aprovo;
– Mais força pra encarar os problemas com determinação e coragem;
– Maior satisfação pessoal;
– Aumento do desempenho profissional;
– Relações saudáveis: respeito no lar, nas relações profissionais, nos vínculos sociais;
– Paz interior ;
– Sensação de bem-estar contínuo;
– Ânimo;
-Alegria e gratidão pela vida.

Os pais podem fazer muito pra que seus filhos cresçam com a autoestima elevada:

 

Amar seus filhos, em tudo o que a palavra AMOR significa. Não esquecendo de que amar não é fazer todas as vontades, dar todos os presentes. Amar é também saber dizer não quando tem que ser dito.

Alguns pais acreditam que fazer tudo o que o filho pede é amor. Na verdade, o que estes pais estão fazendo é criar todas as condições favoráveis para que o filho sofra no futuro, pois além de criar uma pessoa que quer tudo na hora e do jeito dela, quando, no futuro, essa criança crescer e passar por um problema, não terá estrutura para vivenciar o problema, pois tudo sempre foi feito na hora e do jeito que sempre quis, pelos pais.

Então, os pais podem e devem ajudar seus filhos a terem a auto estima elevada ensinando a eles também os valores internos, ou seja, a dar importância não somente ao tênis mais caro, ou à aparência física do coleguinha, ou se os pais do coleguinha tem um carro bom, ou se a casa do coleguinha é bonita, mas sim ensinar a criança a ver com o coração. E para ver com o coração é necessário fechar os olhos para poder enxergar o respeito, o amor, a compaixão, a bondade, a honestidade, enfim… a olhar mais “para dentro” e interromper a tendência que se tem de dar tanta importância às coisas materiais, externas, pois só se  é feliz quando se descobre suas riquezas internas, da alma.

 

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

 

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11 Comments

  1. ola, como psicóloga poderia me responder se a FÉ e Psicologia são realmente insseparáveis ???

  2. Parabéns, Mariceli.

    Gostei do texto e da sua disposicao em ajudar aos outros.

    Um abraco,

    Gio

    • Oi!
      Que bom encontrar você aqui!
      Obrigada, o mérito do auxílio que o texto possa vir a ter na vida dos leitores é do Roque e do Alessandro, os responsáveis pelo Blog.
      A união faz a força.
      Um beijo para você.

  3. Parabéns Mariceli…não é atoa que ouvimos falar tão bem de você. Texto maravilhoso.Nos faz pensar em certas atitudes erradas e manias que temos..

  4. Suellen Cavalcante

    Muito bom o testo, nos ajuda a reconhecer alguns erros q cometemos a nós mesmo, muitas vezes sacrificando a nossa propria felicidade por deixarmos de acreditarmos em nossa propria capacidade… Acho que n precisamos q os outros nos diga q estamos bem para nos sentirmos bem e mesmo assim por muitas vzs mesmo ouvindo alguna elogios custamos acreditarmos q seja verdade ou q apenas estejam tentando nos deixar bem.
    Eu sou assim e gostaria muito de mudar essas atitudes e sentimentos…

  5. Gostei do texto e dos argumentos, muito bom e alem de tudo ficou a dica ame a si mesmo acima de todas as outras coisas.

    Mariceli fica ai a dica para você que tem consultório nessa cidade…Tendo em vista que na maioria dos municípios pequenos e sabendo-se que em sji não pode ser diferente , sugiro que apresente um trabalho direcionado às empresas com o intuito de melhorar o desempenho dos funcionários, abrangendo toda a categoria , principalmente o setor público. Faça um trabalho de socialização , onde a prioridade é o respeito para com os colegas e colaboração mútua , algo tipo ,corporativismo.assim, sem dúvida alguma os serviços prestados melhorariam muito, dê uma pesquisadinha a respeito e pense sobre o assunto. se precisar , me encontra aqui …ok

    É sempre possível fazer mais. Não tenha receio de tentar o novo, mas tenha a humildade de recuar quando não dá certo. “O importante é compartilhar e não ter apenas objetivos pessoais.

    • Olá Magnânimo,
      Obrigada pelas opiniões: elogios, sugestões e críticas. São todas muito bem-vindas.
      Sou Psicóloga Clínica e por isso não é possível que eu apresente e desenvolva um trabalho direcionado às empresas. Este campo de atuação fica ao encargo do Psicólogo Organizacional. A Psicologia é uma ciência subdividida em áreas de atuação, psicologia clínica, psicologia escolar, psicologia jurídica, psicologia organizacional, psicologia hospitalar… enfim, são muitas as áreas de atuação de um psicólogo.
      Assim como um cardiologista não deve atuar no sistema digestivo de um indivíduo, pois isso cabe ao gastroenterologisa, o psicólogo clínico não deve, por não estar habilitado, a atuar nas empresas.
      Espero que o texto tenho auxiliado em algo.
      Bom dia. Um abraço.

      • Bom dia, ficou bem claro Mariceli, foi só uma dica , achei que por ser numa cidade pequena esse tipo de serviço abrangesse por um todo,,, boa sorte a você , continue assim . abraço.

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