Mariceli Bernini: Separação conjugal – O que deve ser feito para proteger os filhos do sofrimento

MariceliO amor acabou entre o casal e ambos decidiram que é o momento de se separarem. Apesar do estress emocional e das modificações que a separação causa na vida daqueles que estão se separando, quando há filhos é importante saber que a partir do momento em que a decisão da separação foi tomada, esta decisão também afetará diretamente a vida dos filhos, e por isso eles devem fazer parte dos cuidados e receberem toda atenção e respeito que o momento exige.

É necessário que haja uma conversa com os filhos e seja explicado para eles que uma separação está acontecendo. Alguns casais não explicam para os filhos exatamente o que está ocorrendo, o que acarreta medo, insegurança e perda de confiança. Certa vez, atendendo um casal que havia se separado e que estava buscando auxílio pois a filha de 5 anos estava apresentando alterações de comportamento em função da separação, perguntei a eles o que haviam explicado à criança sobre o divórcio deles, e para minha surpresa eles responderam: “nada”. Simplesmente o marido havia se mudado da casa e mãe e filha continuaram a morar na casa juntas. Obviamente que a criança, assustada, não estava compreendo o que estava acontecendo e começou a apresentar sinais de stress, ansiedade, medo e tristeza. Ao orientá-los que necessitavam explicar à filha o que havia acontecido e assegurá-la de que era amada,  alguns dias depois o casal me procurou para dizer que colocaram em prática as sugestões e a criança estava melhor.

Quando os pais se separam, os filhos, normalmente, sentem medo de perderem o amor deles. Por isso é imprescindível que conversas aconteçam para assegurar que o amor de pais para filhos não deixam de existir por causa da separação, importante também é que os pais se comportem de acordo, pois não adiante dizer que o amor não terminou mas palavras e atitudes não condizerem ter si.

É bastante comum que os filhos se sintam culpados pela separação, também por isso é importante que os pais conversem com eles e expliquem, sem mentiras, os fatos. É importante também que os pais abram espaço para que os filhos façam perguntas a eles, de maneira que suas dúvidas e inseguranças sejam eliminadas.

Perante uma separação ou divórcio, marido e esposa se tornarão ex-marido e ex-esposa, mas nunca haverá a condição de ex-pai, ex-mãe e ex-filho. Pai e mãe é a fonte de saúde mental dos filhos, portanto, se a relação entre ambos é saudável, os filhos serão saudáveis emocionalmente falando. A maioria das dificuldades emocionais que um adulto possui tem origem na infância, por isso não faça do seu divórcio um problema para seu filho, principalmente se ele ainda é uma criança. Uma separação ou divórcio não tem que ser um problema, já que se optou pela separação ela não deve ser uma fonte de problemas mas sim uma solução para problemas e sofrimentos, caso seja esta a escolha feita pelo casal.

Coloque-se no lugar do seu filho, imagine-se vivendo o que ele está vivendo caso você esteja se separando. O que você gostaria de ouvir dos seus pais?

Algumas dicas:

– Transmita ao seu filho muito amor, assegure-o de que o amor entre você e ele é incondicional, ou seja, não depende do casamento;

– Mantenha a rotina. Se você saiu de casa, visite seu filho e continue fazendo com ele as atividades que faziam juntos antes da separação, não abandone as atividades, lembre-se de que você se separou do seu cônjuge, não do seu filho;

-Proteja e compreenda os sentimentos do seu filho. Se ele reagir com rebeldia, indiferença, frieza, agressividade, raiva ou tristeza, saiba que é apenas uma maneira que ele tem de dizer a você que está sofrendo. Muitos de nós não sabemos falar sobre nossos sentimentos, mas nossos comportamentos dizem por nós. Por isso, respeite o momento do seu filho e auxilie-o;

– Proteja seu filho do conflito. Os filhos não precisam e não devem participar das ”brigas” judiciais, das questões de pensão alimentícia e nem de pormenores da intimidade dos pais;

-Ajude seu filho a nomear e expressar emoções, pergunte a ele o que está sentindo e converse sobre o assunto;

– Não use seu filho como “arma” se você está se separando com mágoa ou raiva do seu cônjuge. Resolva entre você e seu (sua) ex. Os filhos não merecem serem manipulados dentro de uma relação doentia dos pais. Saiba que quando você fala mal da sua esposa ou marido para seu filho isto cria problemas emocionais para ele. Nenhum filho gosta que fale mal do pai ou da mãe (assim como você também não gosta que alguém fale mal dos seus pais);

– Crie um ambiente seguro e acolhedor para seu filho, e por último nunca esqueça de que qualquer situação vivenciada com amor, por mais difícil que seja, fica mais fácil de vivenciar. Você não é obrigado (a) a se comportar de maneira perfeita diante de uma situação a qual nunca viveu, mas não é necessário fazer desta situação uma fonte de sofrimento. Coloque uma dose de amor em suas decisões e palavras, e em seus sentimentos e comportamentos e perceberá que valerá muito a pena!

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

 

 

 

 

 

Adicionar a favoritos link permanente.

Deixe uma resposta