Mariceli Bernini: Por que compramos o que verdadeiramente não precisamos?

É provável que Mariceli Berninivocê já deva ter tido aquela sensação de realização por ter adquirido algum produto resultado do seu trabalho, do seu esforço. É uma sensação maravilhosa de que valeu a pena ter trabalhado tanto e investido o dinheiro em algo que será útil em sua vida.

Mas e quando o dinheiro é investido em algo que trás uma realização passageira ou mesmo algo que não é útil para si mesmo?

É frequente pessoas se endividarem em lojas de roupas e sapatos, concessionárias de automóveis, lojas de materiais de construção e até mesmo nas lojas de móveis com o objetivo de demonstrar à sociedade como suas roupas o atualizam e o deixam na moda; ou da sensação de como o seu carrão o faz ser uma pessoa bem vista e cheia de amigos; ou em como a sua casa é a mais bonita do quarteirão, garantindo a inveja e os comentários dos vizinhos e das visitas.

A Psicologia entende que quando há conflitos internos (entende-se por “interno” tudo aquilo que é emocional, psicológico, psíquico e mental), e estes conflitos não estão resolvidos ou estão mal resolvidos, existe uma tentativa de compensar tentando organizar “do lado de fora” aquilo que não está bom “do lado de dentro”. Por exemplo, um homem que tem a vida afetiva um verdadeiro caos ou é inseguro quanto à sua masculinidade e não consegue encontrar uma companheira estabelecendo com ela um vínculo afetivo saudável e estável, e compra o carro mais caro para, desta maneira, tentar chamar a atenção das mulheres no objetivo de atrair alguma delas. Ou seja, como não consegue resolver suas dificuldades de relacionamento (conflito interno) tenta resolver “colocando-se em uma vitrine”.

Existem mulheres que são atraídas por um carro; outras, por um homem, mas isto é assunto para outro texto, outro dia.

Portanto, quando algo que queremos adquirir nos incomoda a ponto de efetuarmos uma compra que não resolverá nosso problema, que não nos livrará da sensação de insatisfação, que não nos trará realização alguma e também nenhuma outra utilidade na vida, é o momento de questionarmos se o produto adquirido está servindo como o substituto para um sentimento que deveria estar preenchendo o vazio interno.

Só existe uma única coisa no mundo que o fará se sentir amado, realizado e completo: o amor. E ele não se compra com bens materiais. Ninguém irá respeitá-lo ou amá-lo de verdade pelo que você tem, mas sim pelo que você é, pois você não é o seu carro, você não é o seu emprego, você não é a quantidade de dinheiro que tem na carteira ou no Banco, e nem o sofá caro que comprou pra por na sua casa, e muito menos as pessoas te respeitarão enquanto você estiver convidando-as para um jantar na sua casa cara. As pessoas te respeitarão pelo comportamento digno que você tem, pelo respeito com que você trata os demais, pela sua honra, pelo seu caráter, pelas suas gentilezas e pela sua bondade, pelo seu sentimento de fraternidade com que trata aqueles que deveriam ser chamados de seus irmão e também pelas boas escolhas que você faz e que determinam quem você é.

É perfeitamente possível você ser amado pelo que é e não pelo que possui.

Não desperdice seu dinheiro, seu tempo e sua vida investindo em produtos e situações inúteis, passageiras e que somente podem te oferecer uma falsa felicidade.

Atente para a riqueza interna que você pode adquirir e ela levará até a sua vida somente boas escolhas.

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

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6 Comments

  1. Excelente artigo, Mariceli. Parabéns pela postagem.

  2. Parabéns! Ótimo texto, que Deus continue te abençoando.
    Um beijo Dani

  3. muito bonito.mas parece ate um recado pra alguem.

    a ostentacao faz parte do ser humano. mente quem afirma que nao

    • Olá John,
      Grata pelo comentário. Fico contente por ter gostado do texto.
      Mas tua impressão de que este texto parece até um recado para alguém está equivocada. O espaço que o Blog do Roque me disponibiliza tem como único objetivo informar à população assuntos relacionados à Psicologia e/ou melhora na qualidade de vida.
      Que tipo de psicóloga eu seria se utilizasse um espaço público para resolver minhas questões pessoais, não é mesmo?
      Um abraço.

      • Você esta certa,..desculpe, mas o fato de dizer ( parecer um recado),talvez não soube expor minha opinião,,,mas é que a maioria que ler receberá como um bom recado…pois a maioria das pessoas passam ou vão passar por esta situação, um excelente tema…continue assim

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