Mariceli Bernini: Dislexia

Dislexia é a dificuldade enfrentada na área da aprendizagem da leitura, da soletração e da escrita. Costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização, sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado, ou seja, a criança ou a pessoa que está sendo alfabetizada fica, por algum tempo, “atrasada” em relação às demais crianças pessoas que estão sendo alfabetizadas junto dela.

Geralmente são os professores quem percebem que o alfabetizando tem a dificuldade porque é justamente quando a criança está aprendendo a ler e escrever que o problema é mais facilmente percebido.

As características dos disléxicos, são:
– Ler ou soletrar de maneira incorreta;
– Escrever errado;
– Confundir letras, sílabas ou palavras com pequenas diferenças de grafia, porque são letras que se parecem, não no som, mas na grafia, por exemplo: confundir I com J ou M com N. A com O e F com T. Por isso o dislexo (pessoa portadora da dislexia), pode escrever Jigreja ao invés de Igreja. Naria ao invés de Maria.

– Confundir letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço, por exemplo: confundir o D com o B; o D com o Q; o N com o U ou M com o W, como se a escrita estivesse sendo feito no espelho, as letras, sílabas e palavras ficam invertidas. Vamos pensar no caso da letra N e da letra U, são letras parecidas, quem não sofre de dislexia sabe que elas são diferentes, uma é a outra de cabeça para baixo, mas o dislexo tem dificuldade em perceber que elas são diferentes e por isso escreve ou lê errado.

– Outro exemplo e quando o disléxico confunde letras que possuem um ponto de articulação comum, letras que tem sons parecidos: confudem D-T; J-X; C-G; M-B-P; V-F; ou seja podem escrever ou ler assim: toce ao invés de doce, troca o D pelo T. Xardim ao invés de jardim, troca o J pela X. Poca ao invés de boca, troca o B pelo P. Fazio ao invés de vazio, troca o V pelo F.
– Outra dificuldade apresentada pelos disléxicos são as inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras, por exemplo: me-em; los-sol-; mos-som-; las-sal.

A dislexia não é um problema de vista, mas não é impossível que o disléxico tenha problema visual, embora problemas de vista não são a causa da dislexia.

– Os disléxicos também confundem a direita com a esquerda quando precisam se orientar espacialmente. Se você solicitar a um disléxico que ele pegue um objeto que está do lado esquerdo dele, ele pode ficar confuso e ter dificuldades em saber qual é o seu lado direito e qual é o seu lado esquerdo.

Esses sintomas podem existir junto com o Transtorno de Déficit de atenção e da Hiperatividade, mas isso não significa que quando uma pessoa apresenta um dos problemas apresente o outro, apenas que podem apresentá-los juntos. É comum confundir as coisas até porque existe outras dificuldades de aprendizado, não somente a dislexia. O Transtorno de Déficit de Atençã e a Hiperatividade causam problemas de aprendizagem, mas também existem outros problemas de aprendizagem: a discalculia; a disgrafia; a dispraxia.

Alguns sintomas aparecem antes da alfabetização, pois a pessoa não fica disléxica, ela nasce disléxica, as dificuldades são mais facilmente observadas durante o processo de alfabetização, mas alguns sintomas podem ser observados desde cedo na vida, por exemplo:

– Crianças que começam a falar muito tarde;
– Crianças que tem dificuldades para falar;
– Crianças com dificuldades em identificar rimas e sons nas palavras;
– Crianças que possuem dificuldade para compreender o que é falado;
– Crianças com dificuldades na orientação de espaço e tempo;
– Crianças que demoram para incorporar palavras novas no vocabulário;
– Crianças que demoram para aprender cores, formas, números e escrita do nome;
– Crianças que tem dificuldade para seguir ordens e rotinas;
– Crianças que possuem dificuldade na habilidade motora fina, por exemplo, se é pra colorir um círculo, pinta fora dele.
– Crianças com dificuldade de contar ou recontar uma história na seqüência certa, ou seja, com início, meio e fim.
– Crianças que tem dificuldade para lembrar nomes e símbolo.

Ninguém apresenta todos os sintomas expostos acima, as pessoas disléxicas apresentam alguns deles. O fato de a criança apresentar um dos sintomas não significa que seja considerada disléxica, ela pode estar apresentando um dos sintomas por outros motivos.
Quais as causas da dislexia?

Os pais e educadores podem ficar tranquilos no sentido de que a dislexia não está associada à criança ser mais ou a ser menos inteligente. Não está associada à inteligência. Pessoas muito inteligentes podem ser disléxicas.

Não é uma doença mas sim uma dificuldade de aprendizagem da leitura.
Não existe um concenso entre os estudiosos a respeito das causas da dislexia, mas acredita-se que seja um problema neurológico.

A dislexia é genética.

As crianças que apresentam sintomas da dislexia e que se não são tratadas serão adultos disléxicos que além dos problemas de linguagem e fala serão pessoas que terão dificuldades em se localizar num mapa, terão problemas em cumprir horários, em organizarem-se.
No caso de adulto, tais dificuldades também podem ocorrer depois de um acidente vascular cerebral (AVC) ou após um traumatismo craniano, então se diz que é uma dislexia adquirida. Só nestes casos se adquire a dislexia. Nos casos de pessoas que nascem com dislexia se diz que é dislexia de desenvolvimento.

Devem ser excluídas do diagnóstico da dislexia as crianças com deficiência mental, com escolarização escassa ou inadequada, e com problemas auditivos ou visuais. As pessoas que possuem estes problemas não podem ser diagnosticadas como disléxicas, pois elas apresentam outros problemas que causam sintomas semelhantes aos da dislexia.
As pessoas nascem disléxicas e vão conviver com isso a vida toda. Para que ela tenha uma vida sem grandes dificuldades é necessário um tratamento.

Como é o tratamento?

Somente um profissional pode efetuar o diagnóstico e tratamento, estes profissionais são: fonoaudiólogos trabalhando junto aos psicólogos especializados no assunto e o psicopedagogo. Às vezes são necessários exames médicos com o neurologista, com o oftalmologista, e com o otorrinolaringologista.

É importante dizer para os pais e professores das crianças com dislexia para que apóiem essa criança e não utilizem de chantagem com ela, por exemplo: “se você ler e escrever direitinho vai ganhar um presente”. Pois a dislexia é uma dificuldade que a criança encontra na leitura e escrita, e não uma questão de preguiça ou falta de empenho. Não adianta forçar o aprendizado pois a situação não se resolverá desta maneira, além de criar uma condição de a criança se sentir pressionada e angustiada. O que deve ser feito para ajudar esta criança é levá-la até um profissional e também estimulá-la com carinho e paciência em seu aprendizado, isso é fundamental para que a dificuldade perca a força.

A dislexia não desaparece sem tratamento, e quanto mais cedo ela for diagnosticada, maiores podem ser os benefícios do tratamento.

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2 Comments

  1. Bom dia Mariceli gostaria que você falasse sobre o DISTÚRBIO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL (DPAC)….Que Deus o abençoe……..

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