Mariceli Bernini: Mau Humor Não, Distimia!

Atualmente existem 121 milhões de pessoas sofrendo de Depressão no mundo. Normalmente mesmo uma pessoa leiga pode identificar sintomas desta doença em seus parentes, amigos ou conhecidos, sendo os mais comuns: desinteresse pela vida, tristeza e apatia. Mas o que muita gente não sabe é que existem diversos tipos de Depressão, e para cada tipo existem sintomas diferentes.

Um dos tipos de Depressão existente se chama Distimia (Transtorno Distímico). É uma doença crônica, ou seja, não tem cura mas tem tratamento. Geralmente pessoas que sofrem desta doença são definidas pelos outros como mal humoradas, amargas, irônicas e implicantes.

Se você conhece uma pessoa que vive mal humorada, se queixando de estar cansada, praguejando contra a vida, sempre sem disposição e energia, desinteressada pelo mundo, uma pessoa “com gênio difícil”, provavelmente esta pessoa sofre de Distimia, que se inicia comumente na infância, adolescência ou início da idade adulta. Na infância, acomete igualmente meninos e meninas. Ma em adultos, as mulheres estão duas a três vezes mais propensas a desenvolver este transtorno que os homens.

As pessoas com Distimia, em geral, têm uma probabilidade maior para desenvolver um Transtorno Depressivo Maior sobreposto ao Transtorno Distímico, ou seja, é possível que uma pessoa apresente mais de um tipo de Depressão.

O sintoma principal da Distimia ou Transtorno Distímico é a irritabilidade. Mas existem muitos outros:

* Mau humor;

* Baixa auto-estima;

* Desânimo e tristeza;

* Predominância de pensamentos negativos;

* Alterações do apetite e do sono;

* Falta de energia para agir;

* Isolamento social;

* Tendência ao uso de drogas lícitas, ilícitas e de tranqüilizantes.

São sintomas que pioram a qualidade de vida da pessoa, e o sofrimento pode levá-la a se isolar e não procurar ajuda profisisonal. Diagnosticar o transtorno precocemente e introduzir o tratamento adequado é de extrema importância, uma vez que por volta de 15% a 20% dos pacientes tentam o suicídio.

O tratamento da Distimia se dá pela associação de medicamentos antidepressivos com psicoterapia. Isoladamente, um tratamento sem o outro não funciona. O medicamento sem a terapia não funciona bem, embora os antidepressivos corrijam o distúrbio biológico, o paciente precisa aprender novas possibilidades de reagir e estabelecer relações interpessoais. A psicoterapia sem medicação, neste caso, também não funciona bem porque cobra uma mudança de comportamento que a pessoa é incapaz de atingir por causa de sua limitação orgânica (química cerebral).

Recomendações Importantes:

Se você conhece alguém sempre de mau humor, irritado, pessimista, considere a possibilidade de que seja portador Distimia, um distúrbio do humor para o qual existe tratamento, e tente convencê-lo a procurar assistência médica;

Fique atento: a Distimia, assim como a depressão clássica, pode acometer crianças e adolescentes. Às vezes, esses transtornos estão camuflados atrás do baixo rendimento escolar, do comportamento anti-social e do temperamento agressivo que não conseguem controlar; Se, nos últimos dois anos pelo menos, seus amigos e parentes têm comentando que você anda de cara amarrada, irritado, descontente com tudo e com todos, esteja certo de que isso não é normal, procure um médico;

Não subestime os sintomas da Distimia. Para aliviar os sintomas, é comum o paciente recorrer ao uso de drogas e de tranqüilizantes. Em 15% a 20% dos casos, surge a idea de suicídio; Não se engane: não atribua ao envelhecimento, o mau humor e as queixas do idoso que só reclama e não quer sair de casa. A Distimia pode acometer pessoas na terceira idade; Mantenha a adesão ao tratamento farmacológico e à psicoterapia. Os medicamentos ajudam a corrigir o problema físico e a psicoterapia, a aprender novas formas de relacionamento.

 

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

 

 

 

 

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