Venda de frutas para a merenda escolar transforma a vida em Corumbataí do Sul

Agência Estadual

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As terras que abrigam as plantações em Corumbataí do Sul, no Centro-Oeste do Paraná, nunca estiveram tão produtivas como agora. As frutas colhidas pelos pequenos agricultores do município seguem direto para as 2,5 mil escolas estaduais e conveniadas do Paraná. Desde 2012, a pequena cidade – que fica próxima a Campo Mourão e tem 4 mil habitantes – fornece frutas e polpas de frutas orgânicas para a merenda escolar do Estado.

A entrega dos alimentos para as escolas mudou a história dos habitantes e da própria cidade com a criação de novos empregos. A renda dos pequenos agricultores aumentou e eles e conseguiram diversificar a produção, após participarem das chamadas públicas para oferta dos alimentos da agricultora familiar realizadas pela Secretaria de Estado da Educação.

Todos estão organizados na Cooperativa Agroindustrial de Corumbataí do Sul (Coaprocor), que reúne também associados de outros 25 municípios do Paraná. São mil pequenos produtores ligados à cooperativa.

A compra dos alimentos por parte do Governo do Paraná para a merenda escolar permitiu que a cooperativa investisse em tecnologia. Hoje, os pequenos agricultores têm uma agroindústria à disposição. Lá eles observam seus produtos serem transformados para conseguirem um maior valor agregado.

A cooperativa produz cerca de 70 mil quilos de frutas e polpas de frutas por mês. Segundo o presidente da Coaprocor, Gerson Rodrigues da Cruz, a venda dos produtos para a merenda escolar trouxe uma mudança radical na cidade. “Tivemos um avanço de mais de 60% nos preços dos produtos e isso dá mais segurança para os pequenos agricultores. Quando iniciamos a cooperativa, o único produto comercializado era o maracujá. A compra dos produtos pelo Governo do Estado abriu um leque de diversificação para novas culturas”, disse Gerson.

Com a agroindústria, a cooperativa passou a empregar 30 funcionários que moram em Corumbataí do Sul. A média de produção é de 5 mil a 6 mil quilos de polpa de frutas orgânicas por dia. Carlos Rosa Alves, prefeito de Corumbataí do Sul, comemora a criação de novos empregos na cidade, resultado direto da destinação das frutas para a merenda escolar.

“Melhorou a questão da criação de empregos na nossa cidade e também a geração de mais renda. O aumento do poder aquisitivo dos pequenos agricultores faz a economia da cidade crescer junto”, explicou o prefeito.

A garantia de que a produção colhida será comercializada também fez com que a população de Corumbataí do Sul não diminuísse. Antes de fornecer os alimentos para a merenda escolar, os produtores vendiam para os mercados comuns. Como a disputa com grandes produtores é difícil, muitos agricultores pensaram em abandonar Corumbataí para tentar a vida em uma cidade maior.

Carlos Cezar Matesco, de 49 anos, já pensou em arrancar todos os pés de laranja que produz e ir para Indaiatuba-SP. “Eu ia abandonar a roça. Teve bastante gente que largou tudo e saiu daqui. Em 2011 perdi cerca de 200 caixas de laranja, estava muito difícil de continuar, dependíamos de entregar para o mercado, era longe e difícil”, explicou Matesco.

Hoje com a entrega dos produtos para a merenda escolar, o agricultor pensa em diversificar a plantação. “Em 2013 consegui entregar toda a minha produção para a merenda. Foi ótimo. Agora quero plantar outras variedades de fruta também. Posso me planejar porque sei que entrego a produção e vou receber por isso”, comemorou o agricultor.

SEGURANÇA – O produtor Nelson Marques de Neira, 51 anos, conta que a compra dos produtos da agricultura familiar para a merenda escolar trouxe um novo ânimo para a região. “É muito interessante esse sistema da compra da merenda escolar, essa parceria do governo para manter os pequenos agricultores no campo. Antes a gente vivia na mão dos atravessadores e nosso produto não tinha valor”, explicou.

Com a renda das duas colheitas de caqui que já entregou para a merenda escolar, o produtor João Batista Campos, 46 anos, comprou uma moto nova para se deslocar do sítio para a cidade. “Antes eu vendia a caixa de caqui por R$ 15, R$ 16 para o mercado normal. O preço agora está girando em torno de R$ 40. A vantagem é que entregamos toda a mercadoria para a merenda escolar e não há perda, como acontecia com os mercados”, afirmou.

O agricultor Olavo Aparecido Luciano, 46 anos, confirmou que agora é possível entregar uma quantidade maior de produtos. “Graças à cooperativa conseguimos fazer esse trabalho. Antes a gente trabalhava mais com a monocultura, mas agora diversificamos a produção e temos um preço melhor. Podemos arriscar em todos os sentidos. Se diversificarmos a produção, temos a garantia de comercialização, vamos saber que teremos produção e entrega o ano inteiro”, definiu Olavo.

AVANÇOS – Em 2014, o Governo do Paraná já comprou R$ 47 milhões de alimentos de pequenos produtores. O Estado é o único Estado do Brasil que supera a meta de comprar 30% de produtos da agricultura familiar para a merenda. Atualmente, 50% dos produtos servidos nas escolas estaduais são da agricultura familiar.

Em 2014 serão servidas 15 mil toneladas de alimentos produzidos por agricultores que integram 136 cooperativas em todo o Estado. “O Paraná deu um grande salto quantitativo na compra de alimentos sem agrotóxicos. Em 2011, eram adquiridas nove toneladas de alimentos orgânicos. Hoje, são mais de 2.500 toneladas de alimentos da agricultura orgânica em nosso Estado. Isso significa que nossos alunos estão se alimentando mais e melhor”, afirmou o vice-governador e Secretário da Educação, Flávio Arns.

O gerente da Coaprocor, Carlos Alves de Souza, disse que graças à venda dos produtos para a merenda escolar foi possível construir a agroindústria em Corumbataí do Sul. O que antes tinha que ser vendido fora da cidade, e acabava não criando empregos no município, agora é transformado em Corumbataí do Sul, onde as frutas viram polpa.

“Isso agrega valor e renda. Esse apoio do governo estadual ao cumprir essa política de comprar mais de 30% da agricultura familiar é muito importante para nós aqui do campo. Beneficia várias famílias e complementa a renda de todos. A agricultura familiar do Paraná tem ganhado muito com o fornecimento dos alimentos para a merenda escolar”, disse Carlos Souza.

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