Mariceli Bernini: Mulheres Guerreiras

Dia desses estava vendo o feed de notícias do Facebook e vi a foto de uma amiga na academia com a seguinte frase “6 quilos a menos”. Logo abaixo da foto havia o seguinte comentário de uma amiga dela: “Guerreira!”

Guerreira?!? Como assim, “guerreira”?!? Calma aí, minha gente! Uma mulher que vai pra academia perder peso é considerada guerreira? É claro que perder peso inclui iniciativa e força de vontade, mas no mundo em que vivemos está cheio de mulheres que podem receber este adjetivo fazendo por merecer a vida que levam, por exemplo: vi na TV uma senhora moradora do sertão nordestino que ao ver os netos passando fome fez uma sopa de água com papelão na tentativa de minimizar a fome daquelas crianças famintas e que ao ser questionada pelo repórter se não tinha medo de que aquilo fizesse mal à saúde dos netos respondeu: “o que faz mal à saúde é a falta de esperança, meu filho!”

Outro exemplo de mulher guerreira é IrenaSendler, uma enfermeira polonesa. Quando a Alemanha invadiu a Polônia no ano de 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, onde cuidava das refeições comunitárias. Ela assumiu riscos consideráveis para levar alimentos, roupas e remédios aos habitantes do gueto que os ocupantes nazistas instalaram num quarteirão da capital. Ao assisti-los no Gueto de Varsóvia ficouhorrorizada pelas condições de vida impostas a seus moradores devido à falta de comida, e viu muitos morrerem de fome ou em decorrência de doenças. Por isso começou a tirá-los em ambulâncias como vítimas de tifus, e se valia de todos os meios e de tudo o que estivesse ao seu alcance para escondê-los e tira-los dali: cestas de lixo, sacos de batatas, malas, etc. Em suas mãos, qualquer coisa se transformava numa via de escape.Um dia os nazistas acabaram descobrindo suas atividades e a levaram à prisão. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de inúmeras torturas. Queriam que delatasse quem eram seus colaboradores e os nomes das crianças que ajudara a salvar. Por não revelar absolutamente nada, em total silêncio, foi sentenciada à morte.A caminho de sua execução, o soldado que a levava a deixou escapar. Irenasalvou a vida de 2.500 pessoas, em sua maioria crianças.

Eu poderia citar muitos outros exemplos de mulheres guerreiras, as brasileiras Zilda Arns e Irmã Dulce. Outros exemplos são Olga Benário, Madre Teresa de Calcutá e Joana D´Arc. E as mulheres anônimas que enfrentam desafios diários por serem mães de crianças especiais, esposas de maridos violentos, por gerarem filhos consequência de estupro, enfim, guerreira como Maria,que suportou a dor de ver seu filho crucificado vítima da ignorância e estupidez.

Estas sim, Guerreiras!

Precisamos resgatar a História e os conceitos, e nos valer de exemplos de pessoas que mudaram o destino de outras pessoas modificando o mundo para melhor.Deveríamos refletir em quê estamos focados e quem são os nossos heróis, para mais tarde não estranharmos o que construímos para nossas próprias vidas.

MariceliBernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

 

 

 

 

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Um Comentário

  1. É, hoje as guerreiras de verdade se escondem para não serem confundidas. E as pessoas que se acham numa academia, ou num barzinho, são os exemplos de vida. Incrível como o status mudam as figuras.
    Nós não precisamos irmos longe para ver mulheres de fibra e coragem, temos várias na nossa cidade, mas elas ficam no seu mundo e nem percebem o quanto são admiradas, não é?
    Em São João do Ivaí temos as nossas guerreiras, quem não se lembra da Vovó Barbara, D. Noêmia, D.Inácia, D. Cida da Vila Rural de Santa Luzia, e mitas outras anônimas que são pais e mães ao mesmo tempo, que lutam diariamente para o sustento de seus familiares e ainda tem tempo para ajudarem outras pessoas…

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