Vargas se licencia da Câmara; caso é remetido ao STF

Gazeta do Povo e Agências

Pressionado pelas denúncias de que teria negócios com o doleiro preso pela Polícia Federal (PF) Alberto Youssef, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR), pediu ontem licença por 60 dias do mandato e do cargo na mesa executiva da Casa. Já a Justiça Federal remeteu ao Supremo Tribunal Federal (STF) todos os documentos da Operação Lava Jato que ligam Youssef a Vargas. Como deputado, Vargas tem direito a foto privilegiado no STF e uma eventual investigação contra ele tem de ser comandada pelo Supremo.

No pedido de licença do mandato e do cargo de vice-presidente da Câmara, Vargas alegou “motivos pessoais”. Em nota de esclarecimento divulgada pela sua assessoria, argumentou que quer “preservar a instituição da qual faz parte, a Câmara dos Deputados, enquanto prepara sua defesa diante do massacre midiático que está sofrendo, fruto de vazamento ilegal de informações”.

A assessoria do deputado destacou ainda que Vargas “segue à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”. “O deputado reafirma seu compromisso com sua história política e sua luta em defesa do povo paranaense e do Brasil, sempre”, conclui a nota.

Relações suspeitas

O doleiro Alberto Youssef já havia sido condenado pelo escândalo do Banestado – por meio do qual houve remessas de dinheiro ilegais para o exterior. No mês passado, foi preso pela PF sob acusação de participar de um esquema que lavou R$ 10 bilhões. Recentemente, foi revelado que ele e Vargas tinham uma relação muito próxima. O avião particular em que Vargas viajou de férias de Londrina para João Pessoa (PB) em janeiro, por exemplo, foi pago pelo doleiro. Estima-se que o custo da viagem foi de R$ 100 mil.

Nas investigações da Operação Lava Jato, foram obtidas ainda mensagens de celular entre Vargas e Youssef que levantam a suspeita de que o deputado fazia lobby no governo a favor de negócios suspeitos do doleiro – como no caso de um contrato de R$ 150 milhões para fornecimento de remédios do laboratório Labogen para o Ministério da Saúde. Em uma das mensagens trocadas entre os dois, o doleiro afirma a Vargas que o negócio poderia lhes trazer “independência financeira”.

Na semana passada, Vargas negou que tenha agido de forma ilegal. Mas reconheceu que conhece Youssef há 20 anos. Também disse estar arrependido de ter viajado num jato fretado pelo doleiro.

Procuradoria

Caberá ao STF encaminhar o caso de Vargas à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se pede ou não abertura de investigação. A Justiça Federal, que decidiu remeter o caso ao Supremo, considera que há “elementos probatórios que apontam para relação entre Youssef e o deputado”. Apesar disso, a Justiça avalia que ainda é prematura afirmação de que o relacionamento entre o doleiro e Vargas “teria natureza criminosa”. Apenas a parte relativa ao parlamentar da Operação Lava Jato seguirá para o STF.


Executiva do PT discutirá situação do paranaense

Da Redação, com agências

Oficialmente, o PT informou ontem ter ficado “satisfeito” com a licença de 60 dias do deputado paranaense André Vargas. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que o caso poderá causar mais desgaste ao partido. E não está descartada a hipótese de a sigla pressionar o parlamentar a renunciar ao cargo de vice-presidente da Câmara.

A situação de Vargas será discutida na próxima quinta-feira numa reunião da executiva nacional do PT. Segundo o presidente nacional do partido, Rui Falcão, a sigla trabalhará com a presunção da inocência, mas “não convalida esse tipo de relação [de Vargas com o doleiro Alberto Youssef], se é que ela existiu”.

A reunião da quinta-feira servirá para que os dirigentes petistas discutam quais serão os procedimentos do partido relação ao caso de Vargas. O paranaense não deve participar da reunião, pois desde o fim do ano passado Vargas não compõe a executiva nem o diretório nacional do PT.

Satisfação

Já o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), afirmou ontem que o partido ficou “satisfeito” com a atitude de Vargas de se licenciar do mandato. “O nosso partido está satisfeito com a atitude que ele tomou. Respeitamos a decisão”, disse o líder. “O afastamento era algo que nós esperávamos.”

Vicentinho, porém, evitou fazer a defesa do colega e afirmou que a licença deixará Vargas com maiores condições de responder às acusações. Vicentinho disse ainda não haver como comparar a situação do petista com a do senador Demóstenes Torres (ex-DEM), que foi cassado em 2012 após ser flagrado em operação da Polícia Federal em uma relação próxima e de troca de favores com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

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