O uso contraditório da mente humana na contemporaneidade

Celso Scheffer

A sociedade contemporânea vive um momento de profunda contradição em relação ao uso da mente humana. Se, por um lado, essa poderosa ferramenta é eficazmente utilizada no desenvolvimento de sofisticadas tecnologias, por outro, a eficiência não é a mesma quando o assunto é a forma de dirigir a própria vida. A era da eletrônica e da informação também é a era da depressão, do estresse e das dificuldades nos relacionamentos. A pergunta que se faz é: de que adianta os benefícios do progresso tecnológico se não estamos bem com nós mesmos?
Os problemas emocionais que nos afligem são sinais que alguma coisa dentro de nós não está em consonância com as leis que regem a vida humana. As causas são variadas, mas vão desde crenças equivocadas e traumas até a adoção de falsos valores de vida e disfunções no sistema familiar. Esses bloqueios interrompem o fluxo da energia vital no ser humano e geram as interferências comportamentais mais variadas. Quando essas inconformidades são detectadas pela própria pessoa, fica mais fácil eliminar a conduta prejudicial e passar a adotar procedimentos coerentes.
No entanto, há casos em que os problemas atingem um nível de complexidade tão profundo que o doente já não consegue mais resolver por si só. É nessa hora que se deve buscar a ajuda de alguém que tenha critério para avaliar corretamente a situação e propor soluções. Essa percepção deve ser rápida, pois, quando a patologia atinge níveis críticos, é que costumam ocorrer casos extremos, como o suicídio, por exemplo.
Cada vez mais, o homem tem despertado para a necessidade de procurar dentro de si a causa dos males que o afligem, ao invés de buscar soluções paliativas, que chegam até a agravar os problemas. Em nosso cérebro, há um oceano de possibilidades, denominado pela psicanálise como inconsciente. É ali que são armazenadas as leis que regem o fracasso ou o sucesso da empreitada humana em suas mais variadas esferas. Também é ali onde se deve buscar as soluções para uma vida plena e, assim, melhor desfrutar do que a tecnologia tem a nos oferecer.

* Celso Scheffer é psicanalista, doutor em Ciência Mental e presidente do Instituto de Pesquisas e Tratamentos Humanísticos – IPTH (www.ipth.com.br).

Prêmios:
2012 – Personalidade Empreendedora do Paraná pela Assembleia Legislativa;
2013 – Melhor Terapeuta do Brasil pela Associação Brasileira de Liderança (Braslider)
2014 – Troféu Anita Garibaldi (receberá em 31/05/2014).

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