Mariceli Bernini: Pedofilia; Doença ou Safadeza?

A cada dia cresce o número de reportagens jornalísticas, denúncias à polícia e casos de crianças vítimas de pedofilia nos consultórios médicos e psicológicos.
Segundo o psicanalista Sigmund Freud “a necessidade sexual do homem e do animal é de cunho biológico tão forte que pode ser comparada à necessidade básica de alimentação. Entretanto, algumas pessoas estabelecem formas particulares e até mesmo doentias de satisfação dessa necessidade.Uma dessas formas doentias de satisfação sexual é a pedofilia”, que é classificada como um distúrbio mental e de personalidade no qual um indivíduo adulto ou adolescente se sente atraído sexualmente por uma criança ou pré-adolescente.
Baseado em estudos, diversos pedófilos relatam que seu comportamento não lhes causa sofrimento a não ser o julgamento da sociedade em relação ao seu ato praticado contra a criança, ou seja, o pedófilo, na maioria das vezes, não se sente culpado pelo que faz. Contudo, outros pedófilos se descrevem culpados, com vergonha e depressão, pela necessidade de se envolverem em uma situação de índole sexual incomum, considerada, por eles mesmos, como imoral.
Sabe-se também que a maior parte dos pedófilos foram abusados sexualmente na infância.
É bastante difícil uma pessoa pedófila procurar tratamento, o que pode explicar o aumento de casos de crianças abusadas.
O abuso sexual existe em todos os países do mundo e em todas as classes sociais, e um dado alarmante é que em 90% dos casos o abusador é o próprio pai da criança.
Pelo fato de uma criança não estar preparada física e psicologicamente para um estímulo sexual, é que acaba desenvolvendo problemas emocionais depois da violência sexual sofrida. Podemos entender violência sexual não somentea consumação de uma relação sexual, mas também carícias íntimas, sessões de fotos, chantagem e presentes como doces e brinquedos em troca de estímulos sexuais no abusador, ameaças, etc.
A maioria das crianças abusadas sexualmente tem medo de contar o que lhes está acontecendo, pois se sente envergonhada e culpada, o que causa dano psicológico devastador, não somente em relação à sua confiança em relação aos adultos mas também no que diz respeito ao seu amor-próprio, e em relação à sua sexualidade quando se tornar adulta.A criança também pode experimentar profunda sensação de solidão e abandono. Quando os abusos sexuais ocorrem na família, a criança pode ter muito medo da ira do parente abusador, medo das possibilidades de vingança ou da vergonha dos outros membros da família ou pode temer que a família se desintegre ao descobrir seu segredo e por isso se sente amedrontada.
Além de adquirir uma representação anormal da sexualidade, a criança pode tornar-se muito retraída, perder a confiança em todos os adultos e pode até chegar a considerar o suicídio, principalmente quando existe a possibilidade da pessoa que abusa ameaçar de violência se a criança a denunciar ou negar-se aos seus desejos.
Algumas crianças abusadas podem ter dificuldades para estabelecer relações harmônicas com outras pessoas, podem se transformar em adultos que também abusam de outras crianças, podem se inclinar para a prostituição ou podem ter outros problemas sérios quando adultos. Comumente as crianças abusadas estão aterrorizadas, confusas e muito temerosas de contar sobre o incidente. Com frequência elas permanecem silenciosas por não desejarem prejudicar o abusador ou provocar uma desagregação familiar ou por receio de serem consideradas culpadas ou castigadas. Crianças maiores podem sentir-se envergonhadas com o incidente, principalmente se o abusador é alguém da família. Mudanças bruscas no comportamento, apetite ou no sono pode ser um indício de que alguma coisa está acontecendo, principalmente se a criança se mostrar curiosamente isolada, muito perturbada quando deixada só ou quando o abusador estiver perto.
Nós, psicólogos, somos unânimes em afirmar que zelo, proteção, companhia, afeto, diálogo e uma boa relação de confiança são fundamentais para diminuir o sucesso da ação dos pedófilos. Outra dica importante: acredite sempre no que a criança lhe disser, por mais absurdo que possa parecer.
Muitos dos crimes sexuais infantis iniciam-se através da internet. Verifique se realmente existe a necessidade de seu filho, que ainda é uma criança, possuir um computador ou quaisquer outros aparelhos que dão acesso à internet, no quarto onde ele dorme.
O inimigo pode estar entrando em sua casa, com o seu consentimento, dentro do quarto de seu filho enquanto você está trabalhando ou enquanto você dorme. Fique de olho na internet!

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

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2 Comments

  1. Olá Geisa,
    Você está certa.
    Lembrando que a pedofilia é um distúrbio da mente e da personalidade, e que quase todos os pedófilos não se tratam. Portanto, sem tratamento não há cura. E não havendo a cura eles continuarão a fazer o que fazem…
    Cabe àqueles que são os responsáveis pelas crianças ficarem atentos para que mais uma criança não sofra nas mãos destes doentes.
    Um abraço, e obrigada pelo comentário.

  2. A atenção, cumplicidade e o companheirismo é a melhor arma contra a pedofilia. E só através de denúncias é que conseguiremos afastar nossas crianças desse tipo de gente. Não podemos deixar que nossas crianças percam a inocência por causa deles.

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