Mariceli Bernini: A Infância pede socorro

MariceliEm média, 18 mil crianças são vítimas de violência doméstica, por dia, no Brasil. Os dados foram apresentados pela Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância (Sipani). Mais assustador ainda são os dados apresentados de que uma criança é assassinada a cada 10 horas no Brasil, e a cada 1 hora uma criança morre vítima de agressão.

Por isso, é possível que perto de você exista alguma criança que esteja sendo vítima de algum tipo de violência, como a violência psicológica, a sexual ou a violência doméstica.

A criança vítima de violência, seja ela de qual tipo for, modifica seu comportamento e normalmente, por medo, não fala para ninguém o que está acontecendo com ela.

Saiba identificar os sinais apresentados pela criança ou adolescente vítima de violência e procure ajuda profissional ou disque 100 e faça uma denúncia anônima. O seu silêncio e sua omissão fazem com que você seja cúmplice daquele que pratica a violência.

Com o propósito de incentivar pais, professores, vizinhos ou pessoas responsáveis a buscar orientação e ajuda, apresenta-se, a seguir, uma lista de sinais e sintomas, especialmente em crianças e adolescentes:

SINAIS QUE DENUNCIAM A EXISTÊNCIA DE VILÊNCIA SEXUAL:

 

  • Mudança comportamental na escola ou no contexto familiar;
  • Diminuição do rendimento escolar;
  • Recusa ou medo de ficar sozinho com um adulto;
  • Perturbações do sono;
  • Problemas com os esfíncteres (fazer xixi e/ou cocô na roupa ou na cama);
  • Depressão, ansiedade, afastamento, apatia ou indiferença;
  • Automutilação;
  • Fuga;
  • Problemas com álcool ou drogas;
  • Em nível físico, irritação na boca, vagina ou ânus.

SINAIS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E SEXUAL EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES:

  • Mudanças bruscas, aparentemente inexplicáveis, de comportamento da crianças/adolescente;
  • Mudanças súbitas de humor, comportamentos regressivos e/ou agressivos, sonolência excessiva, perda ou excesso de apetite;
  • Baixa autoestima, insegurança, comportamentos sexuais inadequados para a idade, busca de isolamento;
  • Lesões, hematomas e outros machucados sem explicação clara;
  • Gravidez precoce;
  • Doenças sexualmente transmissíveis;
  • Fugas de casa e evasão escolar;
  • Medo de adultos estranhos, de escuro, de ficar sozinho e de ser deixado próximo ao potencial agressor.

 

COMPORTAMENTO DA CRIANÇA:

  • Teme exageradamente os pais;
  • Tem baixa autoestima;
  • Falta constantemente à escola, devido ao período de convalescença e processo de cicatrização dos maus tratos sofridos;
  • Geralmente é uma criança nervosa e em constante estado de alerta;
  • Possui baixo aproveitamento escolar;
  • Procura ocultar as lesões sofridas por temer represálias por parte do agressor;
  • Pode desenvolver comportamento extremamente agressivo com outras crianças, reproduzindo a violência experimentada no ambiente doméstico;
  • Pode tornar-se depressiva, isolada e muito triste;
  • Foge constantemente ou busca ficar o maior tempo possível longe de casa. Quase se exceção, crianças e adolescentes de rua possuem histórico de violência doméstica;
  • Quando submetida a exame médico, manifesta indiferença, apatia ou tristeza;
  • Choro insistente e sem explicação de crianças de tenra idade à aproximação do pai, mãe, babá ou ouro cuidador.
  • Nem sempre o agressor é um desconhecido, há crianças que são agredidas pelos próprios pais, por isso a denúncia é de fundamental importância.

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

 

 

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