Mariceli Bernini: Amizade em tempos de Facebook

MariceliApós a morte da minha avó, que faleceu em Junho, com 93 anos, encontrei uma amiga dela e tive a oportunidade de aprender um pouco mais a respeito dos verdadeiros laços de amizade. Esta senhora me contou histórias sobre sua longa e fiel amizade com minha avó e nós duas rimos muito, mas também choramos abraçadas motivadas pela saudade e também pela certeza de que uma amizade é mais útil e valiosa que o ouro.

Depois desta conversa fiquei pensando que se eu conseguir viver o suficiente até me tornar em uma velhinha de 93 anos, terei uma amiga fiel para chorar e lamentar a minha morte? E em função disso lembrei que tenho quase 600 amigos no Facebook, mas se eu precisasse contar com algum deles, com quantos eu realmente poderia contar?

E você? Quantos amigos têm no Facebook e com quantos você pode contar?
Quando você faz uma postagem na qual sua felicidade está claramente manifestada, quantos dos seus “amigos” verdadeiramente “curtem” sua felicidade? Quantos te procuram para saber se você está bem quando você fica 1 mês sem fazer nenhuma postagem?

Verdadeiras e belas amizades surgem nos mais diversos lugares, e é bastante provável que eu tanto eu como você tenhamos conhecido verdadeiros amigos através desta rede social, mas em contrapartida tenho aprendido o quanto algumas relações de amizade são voláteis e o quanto o Facebook mina as relações sociais.

E lembrei também de um texto cuja autoria dizem ser de Charles Chaplin, e que expressa claramente o que se espera de um verdadeiro amigo, pois é através da amizade que a vida se torna mais iluminada.

“Preciso de alguém que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado, alguém amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: a amizade.

Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.

Preciso de um amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida, mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um amigo que também seja companheiro nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo: ‘nós ainda vamos rir muito disso tudo’, e ria muito.

Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu amigo. E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma amizade verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela.”

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

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