Mariceli Bernini: O Primeiro Passo nos Caminhos da Vida Começa Dentro de Casa

MariceliPoder desfrutar de uma vida tranqüila e feliz é o objetivo da maioria das pessoas. Partindo do pressuposto de que toda ação gera uma reação contrária de igual intensidade, podemos deduzir que nossos pensamentos e atitudes causam reações semelhantes nas pessoas que convivem conosco.

Como é possível plantar uma semente de manga e esperar que cresça uma árvore na qual possamos colher goiaba? Ou jogar uma pedra em alguém que está passando objetivando que a pessoa agredida acolha o gesto com um sorriso? Ou mesmo cruzar os braços diante da vida e esperar resultados satisfatórios? Pois assim também é a dinâmica de nossa vida familiar.

As primeiras relações sociais da vida de um ser humano começam na família: com a mãe e o pai; e se houver, com irmãos e demais familiares. É a partir do vínculo afetivo-emocional familiar que se formam algumas das características que determinarão a personalidade de um indivíduo. Por isso, é extremamente importante que o lar, local onde a família reside e passa a maior parte de todo o tempo vivido de uma vida inteira, seja um lugar onde haja respeito, compreensão e amor.

Normalmente, quando converso sobre este assunto com meus pacientes, imediatamente eles começam a enumerar todos os defeitos dos seus familiares e todos os aspectos negativos que envolvem suas famílias. É provável que você também tenha feito isso, é natural que tenha começado a pensar na maneira como as pessoas que moram com você se comportam. Mas… e você?

Como você se comporta?

De manhã, ao acordar, o que seus familiares vêem quando olham para o seu rosto? Um semblante fechado ou uma fisionomia agradável? Você dá bom dia para a pessoa que acordou antes de você e preparou o seu café da manhã? Ou toma o seu café apressadamente e reclamando que está atrasado (a)? Você elogia o café que fazem para você? Se você acordasse e preparasse o café da manhã para a sua família, gostaria que reconhecessem seu trabalho?

Você respeita o sono daqueles que acordam depois de você evitando fazer barulhos para os acordarem? O que você sente quando acorda com o seu familiar fazendo barulho mesmo ele sabendo que você estava dormindo?

Percebe que suas ações provocam reações nas pessoas que convivem com você, e vice-versa?

Você se esforça por compreender os sentimentos das pessoas que moram dentro da tua casa? Ou só você pensa ter direito de sentir irritação, tristeza, cansaço, preocupação, desânimo, etc? E quando você sente tudo isso, o que espera das pessoas que moram com você, compreensão? Você compreende quando elas também se sentem assim?

De que serve freqüentar os templos e as igrejas se teu marido (ou tua esposa), pais, irmãos ou filhos, são alvos diários de tuas grosserias? De que vale o ar de santidade, se atrás dele você esconde o hábito de impor tuas vontades não levando em consideração o que os teus familiares pensam e sentem? Você se acha superior a eles?

Em teu lar não deve haver espaço para a rispidez ou grosserias.
As palavras duras ou ríspidas devem desaparecer no trato diário cedendo lugar ao companheirismo, à alegria, ao carinho, à tolerância, à amizade e profundo amor e respeito.

Se você tem pais e eles são idosos, coloque-se no lugar deles e sinta o que eles sentem. Sinta o que é não ser ouvido e amparado, o que é ter perdido todos ou quase todos que te eram mais queridos, pois eles provavelmente já não têm mais os pais e nem os tios e nem metade dos amigos, todos já se foram.

Sinta o peso dos anos a provocar enfermidades e dores por todo o corpo, perdendo a força dos músculos e o controle dos membros. Sinta o que é viver com a morte próxima de você.

Se você é casado (ou casada), seja imensamente grato (grata), por tudo que teu cônjuge fizer por você ou por teus filhos. Nunca aponte um defeito nele (nela), a não ser que ele (ela) mesmo (mesma) procure tua ajuda e te peça para fazê-lo. Ou você gosta que te apontem defeitos? E mesmo que a pessoa te teça, tenha todo cuidado para que tuas palavras não magoem, deixando escapar tua incapacidade de perdoar mágoas e rancores do passado.

Não seja tolo (tola), se iludindo com a sensualidade do mundo que impulsiona cada vez mais ao fatalismo das separações. Dedique-se e valorize sua esposa (ou seu marido).

Não permita que tua voz se altere ou que teus pensamentos ou emoções carreguem as mágoas e os rancores acumulados, tão comuns aos matrimônios…
Pondera sempre tuas palavras e fique em silêncio se for incapaz de falar com doçura e carinho. Mas, se assim mesmo você for surpreendido (a) pela tua incapacidade de ser amável, humildemente peça desculpas e trabalhe intensamente para eliminar as causas dessa tua ignorância.

Permita que a tua família saiba de tua gratidão diária expressando-a através de atos e palavras sinceras.

Converse com teus filhos, caso tenha. Você deve saber bem a falta que sentiu destas conversas com teus pais… Diga aos teus filhos que você os ama, mas caso não seja um hábito teu dizer por palavras, e isso não é culpa tua, pois provavelmente teus pais não fizeram isso com você e, portanto, você não aprendeu e agora não consegue fazer, diga através de tuas atitudes, não é só com a boca que se diz “eu te amo”. O amor é manifestado através de ATITUDES. Pense naquele pai que perdeu um filho e não terá a oportunidade que você tem HOJE de chegar em casa e ver o teu.

Lembre-se de quantas vezes você admirou e odiou seus pais e o que você tem feito igual a eles para que teus filhos te admirem ou te odeiem. Não faça aos teus filhos o que teus pais te fizeram e te causou tanto mal! Reproduza somente hábitos e atitudes que encaminhem teus filhos à humildade, honestidade, honradez, ao amor, às emoções saudáveis, à vida sexual sadia, ao respeito pela vida. Você é o exemplo que seus filhos seguirão, mesmo sem perceber, por toda a vida, quando você menos esperar seus filhos estarão tendo os mesmos comportamentos que você. Fique atento (a), ter um filho é uma missão diante da vida. Saiba que o álcool, a maconha, a cocaína e outras drogas somente entram pela porta de um lar onde não há amor o suficiente.

Se algo não vai bem, antes de apontar uma falha no teu cônjuge ou filhos, ou nos teus pais e irmãos, analisa tua conduta, veja se você pode começar a mudança. Se você mudar, quem está ao teu lado também muda, e se ambos mudarem… a vida reagirá positivamente às mudanças. Dê prioridade à sua família, pois se algo não vai bem dentro de casa todos os outros setores da vida também são influenciados negativamente. Não tenha medo de começar uma mudança, já nos primeiros dias sentirá o efeito benéfico delas.

Provavelmente você possui bons amigos e se coloca à disposição dos mesmos “a qualquer hora, para o que der e vier”, não é assim? E para a sua família, você também tem se colocado à disposição da mesma maneira?

Caso um membro da tua família esteja se comportando de maneira agressiva e desajustada, ao invés de criticar a conduta dele faça o inverso disso, elogie as qualidades que ele tem, mesmo que sejam poucas, e pergunta-se o porquê ele esta agindo desta maneira. É provável que você se surpreenda com as respostas que vai encontrar.

Não abandone tua família! Que a história de vocês não tenha fim…

Cuida do tesouro que está em tua casa, bem do teu lado! Dessa maneira você terá suporte para dar teus primeiros passos nos caminhos do mundo e certamente, por ter uma vida familiar saudável, teu trabalho, teus estudos, amizades, vida financeira, tua saúde e tua comunhão com o fluxo da vida te levarão à tranqüilidade e à felicidade.

Você está plantando manga esperando colher goiaba? Ou seja, você tem se comportado de maneira cheia de desamor e esperando ser compreendido e amado? Lembra sempre que tuas ações desencadeiam reações.

A paz e a harmonia são as verdadeiras riquezas de uma família.

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

 

 

 

 

 

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