Golpe das mensagens no celular faz vítimas por todo o Brasil

mensagemUma mensagem no celular anuncia que a pessoa foi premiada. Esse tipo de golpe está se tornando cada vez mais comum em todo o Brasil. Prêmio de empresa para quem fez recarga, prêmio de loja grande para o comprador, prêmio de programa de televisão. As mensagens prometem carro, casa e dinheiro, mas tudo não passa de mentira.

Uma das vítimas entrevistadas pelo Jornal Hoje caiu no golpe e perdeu R$ 1.200. “Eles ficaram me ligando, me ligando direto e passando informações. Que eu tinha que ir no banco e fazer esses empréstimos e liberar meu limite para eles liberarem o valor, que era muito alto”.

O prêmio prometido era uma casa no valor de R$ 100 mil, mais R$ 30 mil em dinheiro. “Tô querendo abrir um buraco e enfiar minha cara, de vergonha. É muito vergonhoso”, lamenta a vítima.

Diariamente, centenas de pessoas são enganadas pelos estelionatários. Em um áudio, o golpista diz que a vítima foi sorteada em uma promoção. “O senhor vai estar recebendo aí um lançamento de R$ 35 mil. Um TED, uma transferência. Ela é toda documentada”.

Em outro caso, o bandido avisa que a enfermeira Adriana Ribeiro Andrade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, ganhou uma casa. Ela precisa ir a um caixa eletrônico para receber, mas não pode desligar o telefone. Os bandidos pedem sigilo e não querem que a vítima desligue o telefone para impedir que o golpe seja descoberto. Ela não caiu no golpe.

“O senhor tem que ter cuidado. Tem que procurar ser discreto para não despertar olhares curiosos na vizinha do senhor e até mesmo para não correr risco, não gerar preocupação familiar”, diz o golpista.

A mulher entrevistada pelo Jornal Hoje não contou nem para o marido o que estava acontecendo. “Acho que todo mundo tem que ficar alerta. Pensar mil vezes antes de fazer isso. Não existe nada caindo do céu. Tudo é na base do trabalho e da ralação”, fala.

Depois que fez o depósito, ela ligou de novo. Os bandidos queriam mais. Disseram que ela deveria ir a uma casa lotérica depositar mais dinheiro. “Na casa lotérica quem manda é a senhora, mas quem te comanda sou eu. Então, a partir desse momento eu sou o teu patrão e você é minha funcionária. Tudo bem?”. Ela não depositou mais nada.

Nossa equipe também falou com o bandido. O repórter Roberto Paiva fingiu que estava interessado no prêmio. “Agora tudo o que a acontece na vida de uma pessoa é pelo poder e da permissão de Deus, correto. Trabalho aqui há 10 anos. Pai de dois filhos, jamais vou querer brincar com seus sentimentos”, fala o golpista.

Não existem estatísticas específicas para esse tipo de golpe. Não da para saber quantas pessoas são vítimas porque muita gente nem procura a polícia quando descobre que foi enganada. A polícia diz que é preciso desconfiar sempre e lembra: nenhuma empresa pede dinheiro em troca de prêmio.

Quando o golpista percebeu que nosso repórter não ia cair na conversa dele, perdeu a paciência. “O senhor nem no banco está. Vai procurar o que fazer!”.

Cadê o dinheiro?
O dinheiro da mulher de São Paulo foi parar em uma agência bancária de Fortaleza. A produção do Jornal Hoje entrou em contato com o banco para saber se existe alguma solução. O banco não quis se manifestar sobre o assunto.

A produção também entrou em contato com a Febraban para saber se o cliente pode pedir o bloqueio do depósito quando descobre que se trata de um golpe, mas a Febraban respondeu apenas que os clientes devem adotar medidas de segurança ao realizar as operações bancárias. Em casos de fraude, o cliente deve registrar um boletim de ocorrência porque é importante que tudo seja investigado pelo poder público.

Dicas de segurança
Os bancos fornecem algumas orientações básicas aos clientes:

– Jamais fornecer senha a terceiros
– Não emprestar o cartão a ninguém
– Não permitir que estranhos examinem o cartão sob qualquer pretexto
– Ao escolher a senha, não utilizar números previsíveis, como data de nascimento
– Jamais utilizar celular de terceiros para comunicar-se com o banco, pois a senha fica registrada na memória do aparelho
– Se alguém telefonar dizendo ser funcionário do banco e pedir para dizer ou digitar a senha, não faça

 

G1/Jornal Hoje

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