Mariceli Bernini: 1 de Dezembro Dia Mundial de Luta Contra a Aids

rp_Mariceli-150x150.jpgEstima-se que 34 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas pelo vírus HIV.

Mas afinal de contas, o que é o vírus HIV e o que ele tem a ver com a AIDS?

O organismo humano possui células de defesa, cuja função é atacar e eliminar tudo o que não é próprio do organismo ou o que é maléfico a ele. Por exemplo, se um indivíduo se contamina com o vírus da gripe, as células de defesa atacam o vírus da gripe até ele não existir mais no organismo e o indivíduo recuperar sua saúde e não estar mais gripado. É assim que nosso organismo se comporta quando adoecemos, temos nossa própria defesa.

Quando uma pessoa tem muitas células de defesa se diz que ela tem alta imunidade e, portanto, é uma pessoa saudável.

Mas e quando uma pessoa se contamina com o vírus HIV, o que acontece? Por que nosso corpo não reage destruindo o HIV exatamente como faz com o vírus da gripe, por exemplo?

 

Primeiramente vamos esclarecer as formas de contágio do vírus HIV:

– relação sexual vaginal ou anal sem preservativo;

– transfusão de sangue contaminado com o vírus;
– de mãe infectada para o filho durante a gestação, parto ou amamentação;

– uso da mesma seringa ou agulha contaminadas;

– instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados.

O vírus HIV ataca as células de defesa e altera o DNA delas, fazendo cópias de si mesmo, ou seja, ele invade as células de defesa e antes de a destruir, se multiplica a partir delas. O vírus precisa das células de defesa para se multiplicar, pois sozinho não consegue fazer isso. Sendo assim, a quantidade de vírus HIV vai aumentando e as células de defesa vão diminuindo, até o sistema imunológico (nossas defesas) ficar bastante debilitado. Desta maneira, as doenças que normalmente seriam combatidas pelas células de defesa não são mais combatidas, pois o organismo fica sem defesa.

Quando o organismo possui um número muito alto de vírus HIV e um número muito baixo de células de defesa e o organismo é acometido por várias doenças, diz-se que o indivíduo está com AIDS.

HIV não é o mesmo que AIDS. HIV é o nome de um vírus que prejudica o sistema imunológico do organismo e a AIDS é um conjunto de doenças que atacam o organismo quando ele está enfraquecido pela infecção do HIV.

As pessoas que se infectaram com o vírus HIV são chamadas de SOROPOSITIVOS. Não se diz que uma pessoa é aidética da mesma maneira que não se diz que uma pessoa é cancerosa.

Para quem fez o teste anti-HIV cujo resultado é positivo ou reagente, digo que não se desespere e não aceite o resultado como uma sentença de morte, como se fazia há 20, 30 anos atrás. Se você fez o teste e o resultado foi positivo ou reagente, a primeira medida a se tomar é procurar um médico infectologista, é ele quem vai tratar você. Através de alguns exames de sangue ele vai sugerir que se comece ou não a tomar a medicação antiretroviral.

A medicação antiretroviral tem como objetivo diminuir ou eliminar os vírus HIV do organismo para que as células de defesa voltem a se proliferar e o organismo passe a ter boa imunidade.

Nem todas as pessoas contaminadas pelo vírus HIV necessitam tomar a medicação antiretroviral, somente aquelas que estiverem com altas quantidades de vírus e baixas quantidades de células de defesa, e isso é possível de ser analisado através dos exames de sangue que o infectologista pedirá que se faça.

Atualmente a Aids tem tratamento e a qualidade de vida do soropositivo é muito boa. Para aqueles que estão contaminados com o HIV mas não estão com AIDS, recomenda-se hábitos de vida saudáveis: dormir bem, boa alimentação, prática de exercícios físicos, beber água com freqüência, divertir-se, abstinência de álcool e cigarro. É fundamental procurar o médico infectologista e cuidar da saúde emocional. Emoções equilibradas auxiliam na baixa produção do hormônio do stress, que também atacam as células de defesa. Além disso, uma vida psicológica saudável influenciará de maneira bastante vantajosa a saúde do corpo físico.

É muito importante, ao se tornar soropositivo, procurar um profissional que seja capacitado para ensinar como se prevenir da AIDS, e, caso ela já esteja instalada, como tratá-la.

É natural o paciente que tem o diagnóstico de soropositividade recente comparecer à consulta bastante assustado e com medo, mas conforme as dúvidas vão sendo esclarecidas e o conhecimento acerca do HIV e da Aids vão fazendo parte do cotidiano do soropositivo, o medo vai cedendo lugar à confiança.

Se você se tornou soropositivo, não se sinta diminuído em relação às outras pessoas. Procure ajuda de um profissional para esclarecer tuas dúvidas e fazer um trabalho de fortalecimento de tua autoestima. É importante que quando você for contar sobre sua soropositividade à sua família ou aos seus amigos, se for da tua vontade que eles saibam, que você esteja seguro das informações corretas que levará até eles, para que tanto eles como você não sofra desnecessariamente.

O marido ou a esposa, ou os namorados tem o dever de contar aos companheiros sobre seu diagnóstico de HIV positivo para que haja a prevenção de não contágio dos companheiros e para que haja apoio no tratamento. Os companheiros do soropositivo podem auxiliar em muito no tratamento colaborando com o mesmo.

É importante dizer que é possível, para uma mulher que tem o vírus HIV, gerar um filho que não seja soropositivo. Também é possível para uma pessoa que tem o vírus HIV “zerar” sua carga viral. “Zerar a carga viral” é fazer o tratamento com os antiretrovirais de forma que a quantidade de vírus no organismo chegue a níveis tão baixos que os exames não detectam os vírus no organismo. Isso equivale a dizer que o sistema imunológico voltou a funcionar da mesma maneira que uma pessoa que não tem o vírus HIV. É importante também dizer que até o momento, quando uma pessoa se infecta, ela estará contaminada para sempre, e o fato de estar com a carga viral baixa não quer dizer que ela se curou, apenas que a quantidade de vírus no organismo é realmente muito baixa.

Existem muitas novidades para o tratamento do HIV/Aids, e é possível dizer que os soropositivos que procuram por auxílio profissional e se informam a respeito do tratamento, ao aderirem a ele terão uma vida normal.

Uma pessoa doente é aquela que não procura se informar a respeito do que está acontecendo em seu próprio corpo ou em suas emoções. A partir do momento em que você compreende o que se passa com seu corpo físico e com sua mente, pode-se dizer que o seu conhecimento facilitará o andamento do seu tratamento.

Portanto, se você se tornou um soropositivo, tenha a certeza de que você não está morrendo e nem vai definhar aos poucos. Você vai se cuidar e vai viver bastante. Tenha a certeza de que a vida está te dando uma oportunidade de você se conhecer mais e melhor, de se cuidar mais, de você se voltar mais para você, de se amar de uma maneira como não vinha fazendo até então.

Ame-se.

Cuide-se.

Existem coisas que somente nós próprios podemos fazer por nós mesmos.
Também é importante lembrarmos que compartilhar nossos sofrimentos pode fazer com que eles se tornem tão pequenos a ponto de não mais nos incomodar.

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

 

 

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