Mariceli Bernini: Cirurgia Bariátrica

rp_Mariceli-150x150.jpgA obesidade mórbida é uma doença e já é considerada epidemia em alguns países. Caracteriza-se por excesso de gordura no corpo cujas conseqüências é o aparecimento de doenças como diabetes e hipertensão, entre muitas outras; dificuldade de locomoção; dores; problemas psicológicos e risco de morte. Isto tudo sem contar com as inúmeras dificuldades que vão aparecendo, como as dificuldades sexuais, pessoais e sociais, etc.

A gastroplastia, mais conhecida como cirurgia bariátrica ou cirurgia de redução de estômago está indicada àquelas pessoas com o peso muito acima do ideal e que já estejam apresentando problemas de saúde e psicológicos.

Os benefícios da cirurgia bariátrica são perda de peso remissão das doenças associadas à obesidade (citadas anteriormente), diminuição do risco de mortalidade, aumento da longevidade e melhorias na qualidade de vida.

Existem 3 pré-requisitos médicos para a indicação da cirurgia: 1) idade; 2) tempo da doença e 3) IMC.

A cirurgia está indicada para pacientes com idades entre 18 e 65 anos; possur resposta desfavorável ao emagrecimento após acompanhamento com profissionais de saúde por um período mínimo de 2 anos e possuir IMC  entre 35 e 39,9 se portadores de doenças crônicas causadas pela obesidade ou possuir o IMC igual ou maior que 40.

Para pessoas com IMC este entre 30-34,9 Kg/m²  o tratamento para a obesidade é clínico e não cirúrgico, ou seja, a cirurgia está indicada em pacientes definidos com obesidade moderada (IMC > 35 Kg/m²) que tenham co-morbidades como apnéia do sono, hipertensão, diabetes mellito, dislipidemia, artropatias ou aqueles pacientes com IMC > 40 Kg/m² independente de haver co-morbidades ou não. Isso porque já foi evidenciado que existe um risco muito maior do paciente morrer por complicações clínicas relacionadas à obesidade do que morrer com a realização da cirurgia e os benefícios que ela traz.

Estudos vão ainda mais longe demonstrando que o risco de morte em pacientes obesos submetidos à cirurgia bariátrica é 35% menor do que aqueles que seguem tentando realizar somente tratamentos clínico com IMC > 35 Kg/m² com co-morbidades ou IMC>40 Kg/m².

Veja como calcular corretamente o seu IMC:

IMC = peso / (altura)2

Por exemplo, se o seu peso for 100 kilos e sua altura 1,70cm, o cálculo é feito da seguinte maneira:

100/1,70X1,70 =
100/2.89 =
34.6 = Obesidade Moderada

TABELA IMC:

18,5 – 24,9 – IMC adequado
25,0 – 29,9 – Sobrepeso
30,0 – 34,9 – Obesidade Leve
35,0 – 39,9 – Obesidade Moderada
40,0 – 49,9 – Obeso Mórbido
50,0 – 59,9 – Super Obeso
> de 60,0   – Super Super Obeso

O cirurgião responsável pela cirurgia requisitará, além de exames médicos pré-cirúrgicos, o laudo de um psicólogo atestando que o paciente está apto emocionalmente para a realização da cirurgia. A importância do laudo psicológico sobre as condições emocionais às quais o paciente se encontra diz respeito à sua preparação e convicção quanto ao procedimento cirúrgico, o psicólogo apontará se o paciente possui condições emocionais para arcar com o processo e tudo o que ele acarreta.

O paciente não é obrigado a fazer psicoterapia, mas o acompanhamento psicológico é indicado tanto no pré como no pós-operatório porque há que se compreender que o bom resultado da cirurgia também depende de mudanças de hábitos de vida.

Por exemplo, se o paciente ingere qrandes quantidades de alimentos por causa de ansiedade, após a cirurgia terá dificuldades em seguir a dieta de restrição alimentar, o que deve e pode ser trabalhado em tratamento psicológico, que auxiliará este paciente a se adequar a novos hábitos alimentares. A cirurgia em si diminui o tamanho do estômago mas não diminui a ansiedade, o que diminui a ansiedade para que se coma menos é manter a mente equilibrada.

Autoaceitação, angústia, transtornos alimentares, autoimagem, ansiedade, convívio com a nova realidade e mudança de vida são algumas das questões importantes para serem trabalhadas em psicoterapia para que o paciente não vivencie problemas pós-operatórios.

É necessário que a vida emocional e psicológica do paciente acompanhe a rapidez com que o emagrecimento acontece. É importante que o candidato ao procedimento cirúrgico compreenda que a cirurgia é feita no corpo e não na mente e que não há mudança de comportamento que perdure sem que antes tenha havido mudanças nos pensamentos e nas emoções. Se a mente do paciente estiver serena e equilibrada, certamente será muito mais fácil vivenciar o processo pré e pós-cirúrgico.

Quando a mente é saudável, o corpo também permanece com saúde.

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

 

 

 

 

 

 

 

 

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