Mariceli Bernini: Amigo Imaginário

MariceliCriar um amigo imaginário é um fato pode ocorrer na vida da criança por volta dos três a sete anos de idade, caracteriza-se quando a criança cria um amigo invisível que existe somente em sua imaginação. A criança pode conversar e brincar com este amigo, pedir para os pais para que o deixe dormir em sua cama, almoçar em sua casa, ir com a família passear, e compartilhar seus sentimentos com este amigo, etc, como se ele fosse real.

Três em cada dez crianças criam um amigo imaginário.

Na maioria das vezes, esta é uma reação desencadeada por mudanças de hábitos ou situações de estresse e ansiedade, que acabam transformando a rotina da criança, como por exemplo, a separação dos pais ou o nascimento de um irmãozinho. Alguns casos acontecem quando a criança, de alguma forma, se sente sozinha. Portanto, o amigo imaginário é criado com a função de aliviar o processo no qual a criança está passando.

Pode aparecer também em momentos em que a criança tem dificuldades em aceitar as regras que lhe são impostas. Assim, esse companheiro realiza as atividades que lhe são impedidas.

Embora as crianças tenham consciência de que o amigo invisível não passa de uma invenção de sua própria imaginação, usam disso como um recurso valioso para seu desenvolvimento e para compreender e elaborar todos os sentimentos que estão envolvidos em determinadas situações, principalmente os mais conflituosos como o medo, a frustração, a angústia, a raiva e a preocupação, ou seja, funciona como um mecanismo de defesa para a criança. Quando as situações se restabelecem, a tendência é que os amigos imaginários desapareçam.

O Amigo Imaginário nem sempre é criado como a forma de uma outra pessoa, algumas vezes este amigo se manifesta através de um travesseirinho, uma manta, um cobertorzinho, um paninho, etc.

Algumas pessoas conservam o amigo imaginário até a idade adulta.

Os pais não precisam ver a situação como um problema, pois este comportamento é uma atitude totalmente normal da criança. Por isto, não devem interferir, quando o filho (a) estiver falando com o amigo imaginário e agindo como se ele fosse de carne e osso, brincando com ele, chamando para jantar e sentar ao seu lado, os pais devem apenas observar e ouvir o que dizem e ficar atentos aos seus gestos e atitudes. Nunca devem incentivá-los ou reforçar a presença dele. O que os pais devem perceber é o grau de interferência que o amigo imaginário pode ter na vida da criança, pois a função do amigo imaginário não deve ser, em momento algum, prejudicial ao seu desenvolvimento.

Se a criança prefere a companhia do amigo imaginário aos de verdade ou à própria família ou se passar horas isolada, brincando sozinha, mesmo quando está em grupo é sinal de que está extrapolando os limites da normalidade e só então os pais devem procurar auxílio de um psicólogo.

Normalmente, conforme a criança vai ficando mais velha vai deixando de solicitar o amigo imaginário até eliminá-lo de vez.

Mariceli Bernini é psicóloga formada pela Universidade Estadual de Londrina e possui Consultório de Psicologia em São João do Ivaí.

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