Carta de Porto Ubá, contra a construção de barragens e em defesa do Rio Ivaí

Nós, participantes do Seminário sobre a Encíclica Laudato Si, “A casa comum”, ribeirinhos, agricultores, campesinos, operários de diferentes funções de núcleos urbanos, homens e mulheres, militantes, sonhadores, povo de Deus…, num ecoar de diferentes vozes; num grito de esperança; num gesto de amor, em defesa da vida, de todas as formas de vida – vegetais e animais – tecemos por diversas mãos esta Carta, frente ao silêncio de muitos.

Carta pelo Rio que desce, suave e tranquilo; que canta e retumba pelas suas corredeiras caudalosas; Rio que repousa no silêncio de suas noites e adormece no seio da mãe natureza, para renascer a cada manhã, repleto de vida, alimentando e reproduzindo milhões de outras vidas; Rio, do filho pescador, que embebeda de sua seiva, que se encanta com sua grandeza, que ouve o seu canto e que dele tira seu sustento; Rio, que desce, na calmaria serena de sua existência e que de suas margens fauna e flora extraem o néctar necessário para sua subsistência.

Carta pelas famílias ribeirinhas que bebem dessa água, e do rio, tiram seu sustento; ribeirinho, que vem escrevendo sua história de amizade e proteção do Rio; ribeirinho, que vive e presencia a destruição implacável do Rio, conduzida pelo agrotóxico, pelo assoreamento, pela ganância do próprio homem, agora, travestida de barragem, para matar de vez o Rio.

Carta pelos nossos filhos, futuro da Pátria, com o futuro ameaçado, por ver a cada dia a mãe Gaia ser destruída, espezinhada pela fome de lucro de alguns.

Carta da esperança, que retoma as palavras do filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua infinita sabedoria, pela ecologia, clamou para que percebêssemos a sensibilidade e a pureza dos lírios do campo (MT. 6:28), que a cada ano, pela ação inconteste da natureza, ele se refaz e renasce com tamanho esplendor; para que percebêssemos a ternura das aves do céu (MT. 6:26), que da mãe Terra, protegidos por Deus, tiram seu alimento, e podem, na noite escura, reclinar sua cabeça, e sob a luz do sol, na relva silvestre, retirar seu sustento e proteger seus filhos.

Carta de quem grita aos quatro ventos da terra: pela vida, pela resistência, pela não prepotência dos homens do capital. Clamamos, por esta Carta, nossa indignação e o nosso manifesto contra a destruição do rio Ivaí promovida pela construção de barragens.

Comprometemo-nos a defender o rio, como área de preservação ambiental e patrimônio natural, sem barragens; a cuidar do rio no combate à pesca predatória; a denunciar o abuso quanto ao uso de agrotóxico na agricultura; a proteger as matas ciliares; e a defender todas as espécies de vida que compõem nossa fauna e flora.

Façamos nossas as palavras de Cristo, que frente à destruição do Rio, aqui estamos, para promover a “vida, e vida em abundância” (JO. 10:10).

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